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Alan dos Santos enrolou a todos direitinho

Não é que eu esteja feliz com isso. Muito pelo contrário. Mas é necessário reconhecer a verdade quando ela se mostra tão evidente. Ontem, na CPMI das Fake News, Alan dos Santos deu um baile em seus opositores. É fato que em alguns momentos houve saia justa para ele, mas de maneira geral ele se saiu bem e julgo necessário que entendamos o motivo disso.


Imagine que você seja um criminoso e esteja sendo investigado. Agora imagine o detetive responsável pelo seu caso fazendo um interrogatório. No meio do interrogatório ele pregunta "você é um criminoso?". O que você diz? Uma pessoa normal, consciente, e que não tenha se arrependido do crime que cometeu certamente diria que não. Pois foi exatamente esse o tipo de pergunta feita para Alan dos Santos ontem na CPMI.

Conversei com uma amiga sobre isso há alguns dias e disse a ela algo que temia acontecer. Eu temia, desde o princípio, que os bolsonaristas conseguissem usar a CPMI para a auto promoção. Não esperava, sinceramente, que acontecesse tão rápido, mas na sessão de ontem o blogueiro sujo Alan dos Santos foi bastante hábil em desviar das acusações e virar a mesa a seu favor. Na realidade ele literalmente aproveitou o momento para divulgar o Terça Livre, e manipulou a maior parte do debate.

Enquanto Alan se mostrava calmo, tranquilo, os deputados e senadores presentes pareciam crianças brigando em um parquinho. Aos olhos do público fica fácil decidir de qual lado está. Já existe uma repulsa natural pela classe política em nosso país, e esses circos e bate bocas no Congresso não ajudam em nada a melhorar essa imagem. Se algum cidadão assistir ao vídeo da sessão ele verá um sujeito sendo indagado de forma agressiva em alguns momentos, ao passo em que responde de forma educada e serena - ainda que irônica e cínica, sempre mantendo a compostura, mas ao mesmo tempo dizendo aquelas "verdades" que o povo pensa.

Houve até um momento cômico que hoje mesmo já foi usado pelos bolsonaristas, quando Alan dos Santos pergunta ao deputado David Miranda "quem é o sujeito da frase", referindo-se ao texto que era lido pelo parlamentar naquele momento. Ele não soube responder. Não é que não soubesse de fato a resposta, é que a pergunta feita por Alan naquele contexto era completamente irrelevante e sem nexo, por isso o parlamentar foi pego de surpresa. Não sei dizer se foi algo intencional por parte do blogueiro sujo, mas sei que hoje pude facilmente encontrar memes sobre essa cena no Twitter.

É importante também levantar algumas questões que vão além da sessão de ontem. Uma delas, talvez a mais importante, é que o foco da discussão está errado. Chamar figuras como Alan dos Santos ou Filipe Martins para depor é uma completa perda de tempo. Eles são os figurões e são espertos. É óbvio que dificilmente sairão de lá de forma muito pior do que entraram, e até existe o risco de que saiam ainda melhores. A CPMI deveria investigar as atividades clandestinas das redes bolsonaristas. Blogs que ninguém sabe a quem pertence, por exemplo. Páginas e perfis falsos no Twitter que vivem reproduzindo os conteúdos da rede. A origem dos bots, os robôs de Bolsonaro, também deveria estar no foco de apuração. 

Olavo de Carvalho está convocado a comparecer. Acredito que ele não se dará ao trabalho de sair dos EUA para isso. E digo mais: espero que não venha. Nossos parlamentares não têm nenhum preparo para lidar com o guru. Eles mal conseguem lidar com os discípulos mais fracos. A bem da verdade a oposição ao Bolsonaro, de forma generalizada, tem sido absolutamente incapaz de lidar com toda essa situação. Se o guru vier, esperto que é, colocará todos eles no bolso.

Sei que estou secando gelo, pois já disse isso um milhão de vezes, mas a oposição ao Bolsonaro precisa descer do pedestal. Ela precisa sair da bolha e ir para a rua conversar com as pessoas, com o povo, para tentar entender o que fez tanta gente eleger o atual presidente. É necessário, antes tarde do que nunca, compreender como foi que Bolsonaro chegou lá para depois poder tirá-lo ou pelo menos evitar que continue por muito tempo. Não se pode ignorar o apoio popular que o presidente tem. As pessoas, de modo geral, ainda acreditam no mito. É preciso que os adversários voltem à realidade e exponham que o rei está nu. 
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