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Por que eu quero que o MBL se foda?

Vou resumir a história para que o texto não se torne um tratado, mas é a primeira vez que falo sobre este assunto então ainda assim pode ser que fique longo demais. 

Dias atrás, em um post no Facebook, vi um sujeito que não é do MBL demonstrando bastante preocupação com os ataques que o grupo vem sofrendo das hordas bolsonaristas. A preocupação dele era legítima, pois se trata de um verdadeiro defensor da liberdade, alguém que se preocupa de fato com o avanço do autoritarismo. Respondi na postagem que, em minha opinião, o MBL tinha mesmo era que sofrer as consequências, e expliquei superficialmente o motivo, mas neste texto irei aprofundar a questão.


O ano é 2017, o Jornalivre havia passado por um certo estresse após o evento ocorrido com Gilberto Dimenstein, mas o site estava de vento em popa. Aliás, entre abril e outubro daquele ano foi o período que o portal teve maior alcance, chegando a ter influência entre os sites de notícia a ponto de ser motivo de matéria da Veja e até do Fantástico - claro que as matérias eram contra nós, mas isso não importa.

Algo que talvez muitos não saibam, mas que precisa ser dito, é que 95% de todo o conteúdo feito dentro do Jornalivre era de minha autoria direta ou indireta. Isso desde sua criação até o fim dos seus dias. Apesar disso eu não era a única pessoa a trabalhar no site, havia mais alguns comigo. Uns passaram pouco tempo, outros ficaram do começo ao fim, mas sempre tivemos, desde o princípio, uma boa parceria com o MBL. 

A parceria, como já expliquei em vários momentos, consistia numa simples troca de favores. O MBL cedia espaço em sua página para publicar nosso material e, em troca, fazíamos matérias que também fossem de interesse deles. Para mim isso nunca foi problema, uma vez que concordo e sempre concordei com a maioria das pautas do movimento. Ainda hoje posso dizer que concordo com grande parte do que o movimento faz.

No entanto nem tudo tomou a direção certa. O MBL havia apoiado João Doria e naquela época já estava em uma má relação com o então prefeito de São Paulo. Além disso o movimento havia eleito alguns vereadores, dentre eles o Fernando Holiday, que teve votação expressiva. Acontece, como muitos devem lembrar, que rolou muito burburinho sobre uma possível candidatura de João Doria à presidência. O MBL se empolgou com a ideia e atraiu o ódio da ala bolsonarista da direita, que achincalhava Dória como fazem até hoje com qualquer tucano. 

Devo dizer que achei, desde o princípio, que a candidatura de Dória não chegaria a acontecer, mas o MBL acreditou nisso até certo ponto. Ainda naquele ano o movimento viria a romper sua relação com o prefeito, e com isso ficou "órfão" de candidato a presidente. Sendo assim tentaram aproximação com Amoedo, mas logo se notou que não havia interesse de parte do NOVO em seguir essa parceria. Além disso, Amoedo nunca foi um candidato forte. Foi então que começou-se a falar no nome de Flávio Rocha, outra candidatura que obviamente não iria acontecer. 

O MBL achou que precisava apoiar um nome forte para as eleições e não havia até aquele momento ninguém que se encaixasse no perfil. O mais próximo, ao menos teoricamente, seria Jair Bolsonaro. Foi em outubro daquele ano que começaram os problemas. Renan Santos, que é líder do movimento, começou a me pedir frequentemente que eu usasse o Jornalivre como apoio a Bolsonaro. Eu naturalmente me recusei a fazer isso, era um completo absurdo. Nunca fui favorável a usar o jornal para apoiar qualquer político, mas abri poucas exceções para figuras que se enquadravam naquilo que eu acredito. Não era este o caso de Bolsonaro.

Após eu me negar a participar disso houve certa tensão. Durantes pelo menos três semanas o MBL persistiu na ideia de que eu deveria usar o Jornalivre para apoiar Bolsonaro. Mais do que isso, o Renan Santos articulou pelas minhas costas uma série de atividades que só vim a descobrir depois, quase que acidentalmente. 

Para contextualizar um pouco mais, nesta época havia no Jornalivre a Francine, que eu mesmo recrutei para trabalhar comigo. Ela era membro do MBL - ainda é -, mas eu a trouxe para o site por conta própria. Renan se aproveitou disso e começou a pedir para que ela fizesse os textos em apoio a Bolsonaro, sem me consultar ou mesmo informar. Ela atendeu ao seu pedido diversas vezes e eu me limitei a deletar todas as postagens do site e da página. Ao ver que seu plano não daria certo ele mais uma vez agiu contra mim, mas desta vez de forma mais eficiente. 

No final do mês de outubro fui simplesmente informado que a Francine havia saído do Jornalivre. Ela não me disse, foi outra pessoa. Naquele instante eu já sabia o que tinha ocorrido. Renan e outras pessoas resolveram me boicotar por eu me recusar a apoiar Bolsonaro. Para fazer isso eles criaram o site Diário Nacional, e nele colocaram justamente a Francine para trabalhar. Lá ela não iria escrever nada além do que eles mandassem. Em contrapartida eles precisavam acabar com a minha influência, e apesar de nunca terem me dito nada simplesmente cortaram a nossa parceria, parando de compartilhar as postagens na página do MBL.

É importante também dizer que pouco tempo antes disso a VICE publicou uma matéria dizendo que o Jornalivre estava usando o site para minerar criptomoeda sem informar ao usuário. Isso de fato ocorreu, mas eu não sabia. Vim a saber, dias depois, que um membro do MBL havia colocado o código para minerar as criptomoedas no site, e ele fez isso sem meu consentimento. Eu sequer ganharia algo com aquilo, foi feito pelas minhas costas e eu só descobri porque um site inimigo publicou.

Ocorre que quando o MBL quis apoiar Bolsonaro eu os avisei de que isso era má ideia. Em um grupo de Whatsapp houve várias discussões a respeito disso, e Renan era quem mais insistia na ideia. A verdade? Ele morria de medo dos minions que iam na página do movimento para encher o saco. Na realidade ele tem medo até hoje, porque é um covarde. 

O MBL sempre soube o que era o bolsonarismo. O movimento sempre soube que eram radicais que odeiam os liberais. O plano de apoiar a candidatura de Bolsonaro, que no final das contas acabou sendo implementado, levava em consideração não uma crença ingênua de que eles estavam fazendo o melhor para o país. O objetivo era simplesmente apoiar o inimigo para que o movimento não fosse um alvo. Se os bolsonaristas iam perseguir os liberais, como estão fazendo agora, o ideal para eles é que o MBL não estivesse na lista. Então eles estavam dispostos a apoiar Bolsonaro mesmo sabendo que isso era errado, mas por puro e simples oportunismo. 

Em 2018, já no ano da eleição, o Jornalivre vinha sendo boicotado pelo MBL. Mais do que isso, Renan Santos fez o que podia ter feito para me prejudicar pessoalmente, inclusive jogando pessoas contra mim e mentindo a meu respeito para elas. Um amigo que trabalhou com eles em São Paulo antes das eleições me contou de conversas que teve, coisas que ouviu, e que o líder do MBL falava mal de mim sempre que podia.

Em junho do ano passado, como todos sabem, o Jornalivre foi censurado. Não só o Jornalivre, na realidade foram literalmente todas as minhas páginas, o meu perfil e também páginas e perfis de amigos meus que nem mesmo são envolvidos em política. Um claro recado para mim. Eu permaneci banido do Facebook até janeiro deste ano, sem nem mesmo conseguir criar uma conta nova até então. Minha mãe e meu pai tiveram seus perfis suspensos, minha ex-mulher também. Nenhum caso de censura foi tão pesado quanto o meu. Mas você acha que alguém do MBL me apoiou? Nada disso. Na live transmitida no dia da censura, que contava com a participação do próprio Renan e de seu irmão, meu nome ou o do Jornalivre sequer foram mencionados. Estranhamente, aliás, a página do próprio MBL nunca foi derrubada, apesar de eles terem compartilhado grande parte do conteúdo produzido pelo Jornalivre. É no mínimo esquisito tudo isso, mas deixarei este aspecto para outro momento.

Sobre o apoio, aliás, é necessário dizer que não só o MBL, mas todos os meus "parceiros" me deixaram na mão. Não tive apoio de ninguém. Os liberais já me odiavam por causa das minhas críticas ao LIVRES, críticas estas que hoje são totalmente comprovadas, uma vez que o grupo virou um movimento de esquerda. Mas também fui deixado para trás pela ala dos liberais de direita que apoiavam Bolsonaro. Apoiavam, no passado mesmo, porque hoje eles estão todos apanhando feito cachorro magro.

Agora o MBL vem sofrendo o que eu imaginei que sofreria nas mãos dos bolsonaristas. Era evidente que iria acontecer. Então por mais que eu deteste os bolsominions, no momento torço para que eles quebrem o MBL ao meio. Se não o fizerem eu mesmo terminarei o serviço.

NOTA: Este texto não passou por revisão, então se você encontrar erros de ortografia ou digitação me informe para que eu corrija.
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