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Por que Bolsonaro não leva o mérito pelo acordo Mercosul - UE?

Por que, né?

Com exceção dos apoiadores incondicionais do governo Bolsonaro, ninguém está dando a ele qualquer crédito pela assinatura do importante acordo entre Mercosul e União Europeia. Há uma série de razões para isso, razões que os fãs de políticos costumam ignorar porque não se encaixam em suas narrativas. Aliás, algumas destas razões são justamente o que contradiz a narrativa.



Uma das principais razões para que se acredite no não merecimento por parte do governo é o fato de sua ala mais radical, composta por figuras execráveis como o chanceler Ernesto Araújo, ou o cruzadinho Felipe G Martins, ou ainda os próprios filhos do presidente, terem sido desde sempre contrários a qualquer acordo com organizações internacionais ligadas a ONU. A criação de teorias conspiratórias sobre o globalismo não foi algo trivial. O próprio Bolsonaro afirmou, no ano passado, quando ainda era apenas candidato, que tinha todas as intenções de sair do acordo de Paris sobre o clima, além de ter diversas vezes no passado demonstrado interesse em sair do Mercosul. 

O bloco latino americano sempre foi visto por essa turma como uma mega conspiração comunista, orquestrada pelo Foro de São Paulo, para transformar a América Latina na "Pátria Grande". O próprio Olavo de Carvalho, a quem Bolsonaro presta continência indireta, declarou isso diversas vezes. Eduardo Bolsonaro também disse o mesmo, assim como os cruzadistas da ala Deus Vult de modo geral. Ou seja, sempre houve grande antipatia ideológica por parte deste governo a qualquer tipo de negociação envolvendo Mercosul e UE.  Havia até quem comparasse a União Europeia com a União Soviética.

O acordo assinado pelo governo agora, a propósito, não foi organizado por ele. Em 2016 o governo de Michel Temer, em parceria com Macri, conseguiu fazer avanços significativos na negociação que havia ficado estagnada na era petista. O ex-presidente foi duramente criticado na época justamente pelas mesmas pessoas que integram o atual governo, para quem tudo é comunismo.

Tudo indicava que a política externa brasileira caminharia na direção do isolamento comercial, limitando-se a acordos com países ideologicamente alinhados, o que inclusive feria uma das principais promessas de campanha de Jair Bolsonaro, que era crítico da política externa petista justamente por ela seguir este caminho. Mas então algo de surpreendente aconteceu.

Apesar de todas as gafes e do absoluto desconforto, parece que o presidente engoliu seu orgulho e resolveu atender a sensatez da bancada ruralista, que é de longe a ala mais sóbria em todo o governo. Para os ruralistas a bobajada ideológica do parquinho de Olavo de Carvalho não interessa, o que eles querem é dinheiro, e para conseguir dinheiro é preciso alavancar a economia. Por isso Bolsonaro sofreu bastante pressão dos ruralistas neste sentido, eles queriam que o presidente parasse de se portar feito um menino para que se tornasse um verdadeiro chefe de estado. Foi o que acabou acontecendo.

Bolsonaro assinou o acordo que já havia sido costurado por Michel Temer e Aloysio Nunes e surpreendeu a todos por ter deixado de lado a teoria conspiratória globalista. Mas como todas as pessoas sabem que não era isso o que ele de fato queria, fica evidente que não há porque lhe dar qualquer crédito pelo feito. O acordo é bom e foi um acerto do governo, esta é a verdade. Só que foi um acerto cometido por alguém que não queria acertar porque prefere mitar. 

No final das contas o Brasil não saiu do Mercosul, também não saiu do acordo climático de Paris, e isso tudo vai completamente na contramão dos discursos do presidente e seus asseclas. No fundo todos sabem que Felipe G Martins está chorando no banho; todos sabem que Carlos Bolsonaro ficou decepcionado porque o pai não chamou Putin de comunista safado na frente de todos; Eduardo Bolsonaro ficou chateado porque o presidente não aproveitou a oportunidade para expor ao mundo a conspiração globalista denunciada pelo guru do governo.

O governo quebrou mais algumas de suas promessas de campanha ao assinar este acordo, mas o fato inquestionável é que o acordo traz benefícios e é visto como algo positivo. Se o presidente não tivesse a boca tão grande os méritos teriam sido lhe dados de bom grado desta vez.

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