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"Era a única opção", eles disseram...

Bolsonaro sempre foi um vagabundo e todos sabem. Ele, seus filhos e grande parte de seus aliados. Um dos principais nomes cotados para ser seu vice era o pastor Magno Malta, que apoiou ativamente Dilma e Lula em um passado não tão distante. O próprio presidente "virou de direita" há poucos anos, antes disso era defensor de figuras como Hugo Chávez e até José Genoíno.

Tudo isso sempre foi de conhecimento público. Também é de conhecimento público que ele, assim como qualquer outro presidente que já tivemos, mentiu em campanha eleitoral. Aliás, cabe dizer, a eleição passada foi de longe uma das mais mentirosas de todos os tempos, porque ambos os lados no segundo turno adotaram a farsa como método durante toda a disputa. 


No entanto é preciso entender que Bolsonaro é só um produto, uma camiseta, alguém que foi lapidado em laboratório para ser "aquele que o povo quer" em um momento muito propício. E ele não fez nada disso sozinho. Como um bom fruto do Zeitgeist, ele esteve durante os últimos anos servindo justamente a este propósito com o apoio de bastante gente poderosa. Toda essa conversa sobre perseguição midiática ou sobre como ele enfrenta o sistema sempre foi apenas uma lorota, um discurso de campanha. O presidente tem hoje ao seu lado simplesmente duas entre as três maiores emissoras de TV do país, além de ter amplo apoio de empresários e políticos do altíssimo escalão. Até mesmo jornalistas globais ou ex-globais o apoiam publicamente. Ao que tudo indica, uma das maiores rádios do país também irá para o lado dele.

Sempre que o governo faz alguma besteira e alguém questiona seus apoiadores menos ativos, é dito que ele era a única opção. "Era ele ou o PT", dizem os mais clássicos. Este aliás é o argumento de grande parte dos arrependidos ainda não proclamados, aqueles que sabem que o presidente é um verme e ainda não têm coragem para admitir. Acontece que simplesmente não é verdade. Bolsonaro não era a única opção. Ele foi transformado pela direita em única opção porque de um lado havia quem o quisesse, e do outro havia quem não tivesse coragem para dizer que não o queria.

Movimentos como MBL e Vem Pra Rua nunca foram muito interessados na ideia de Bolsonaro ser seu presidente, mas eles foram covardes o bastante para apoiá-lo em face do medo que tiveram para negá-lo em público. Renan Santos, líder do MBL, já sabia há muito tempo que não era possível negociar com os radicais do movimento bolsonarista, mas seu medo de enfrentar minions na página do MBL fez com que ele decidisse não reagir. O mesmo ocorreu com muitos outros.

Alguns se venderam, outros simplesmente se calaram, mas foram raros aqueles que enfrentaram o problema desde o princípio. Entre os que tiveram coragem de peitar a onda Bolsonaro, uma minoria, estavam justamente aqueles que ficaram isolados durante todo esse tempo lutando sozinhos nesta guerra. Hoje, é claro, depois de toda a merda já ter acontecido, muitos resolveram sair do armário e lutar contra o que se vê de errado. Mas agora é tarde. Sinto informá-los. Quando era tempo de enfrentá-los vocês não quiseram fazer, agora eles já estão com o poder nas mãos e ainda têm quase um mandato inteiro pela frente. Desejo-lhes boa sorte e apenas isso.

Voltando ao tema, é fato que Bolsonaro não era a única opção. Ele foi transformado em única opção. A direita teve pelo menos cinco anos para construir um bom candidato ou para encontrá-lo, mas preferiu discutir Bolsonaro. E quanto outras opções foram surgindo, ainda que tardiamente, a maior parte da direita assistiu silenciosamente sua destruição por parte dos radicais. Bolsonaristas fizeram questão de aniquilar qualquer adversário que estivesse alinhado à direita. O motivo? Muito simples: fazer com que só restasse Bolsonaro contra toda a esquerda no páreo. 

É por isso que João Dória, ainda que fosse na época apenas uma sondagem, foi tratado como inimigo pelos bolsonaristas até se render e apoiar o presidente. Foi feito o mesmo com Flávio Rocha. Aqueles que não cederam foram simplesmente destruídos um por um. Quando não havia mais ninguém que pudesse desbancar o atual presidente, então ele realmente se tornou a única opção viável contra o PT. 

Foram cinco anos de campanha eleitoral. Cinco anos em que pessoas de direita foram massacradas pelo movimento bolsonarista enquanto liberais, conservadores e direitistas em geral se calavam. Entre aqueles que hoje apoiam ativamente o governo, a panelinha, estão muitos que até pouco tempo atrás não gostavam de Bolsonaro, vide Joice Hasselmann ou Flávio Morgenstern. É claro que em ambos os casos a possibilidade de ganhar algum dinheiro falou mais alto do que os princípios conservadores publicamente declarados. 

Hoje muito se fala em seita política como se fosse uma novidade, como se agora esta seita existisse. Faz-se textos a respeito, se dá entrevistas, mas a seita já existe há muitos anos e já opera desta forma há muito tempo. Quando gente como eu apontava o fato eram nossos próprios aliados que atiravam pelas costas. Fogo amigo, como dizem. 

A covardia imperou e o medo - o signo da eleição passada - venceu. 
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