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Brasil: A eterna colônia de escravos

O Brasil é a eterna colônia de escravos. Não poderia ser diferente. A culpa é nossa, e isso precisa ficar bem claro na mente de todos. Sempre permitimos que algum calhorda chegue ao poder, muitas vezes até ajudamos os calhordas a chegarem ao poder. Não falo aqui somente do voto, já que o voto é obrigatório e as opções não costumam ser diferentes. Falo, isto sim, de um hábito cultural e inegável que é próprio do brasileiro: o desejo doentio por ter sua vida comandada. Em outras palavras, a eterna crença em um salvador da pátria.


Collor foi um salvador da pátria. Lula foi outro. Agora temos Bolsonaro. As semelhanças não são mera coincidência, é apenas a história se repetindo como farsa depois de ter sido tragédia. De tempos em tempos chegam ao poder grupos de revolucionários com perfil autocrático. O atual governo é basicamente o petismo de verde e amarelo, talvez com menor competência política por não ter um líder tão carismático e hábil como Lula. Mas quem precisa de competência quando se tem um cheque em branco?

A atual conjuntura social e política do país é o fruto dos erros do passado. Se hoje temos Bolsonaro é justamente porque em um passado recente tivemos Lula. Aliás, isso é importante: Bolsonaro inexistiria se PT não tivesse exercido poder por aqui. Mais que isso, a propósito, é o fato de que mesmo com Bolsonaro na presidência a situação não seria esta caso não tivéssemos em nossa memória recente o desastroso governo de Dilma. 

Ocorre que o atual presidente tem um cheque em branco. Grande parcela da população, com aquela ideia de sempre, ou seja, a ideia de que chegará um homem decente para nos livrar do mal, deu a Bolsonaro o cheque em branco. Este é o momento do transe pelo qual passamos ali nos primeiros dois anos do governo Lula. É um momento em que as pessoas, ainda iludidas e principalmente querendo manter a ilusão, entregam suas vidas nas mãos do presidente. Elas crêem, porque querem crer, que o presidente escolhido por elas irá resolver tudo. "Agora vai dar tudo certo, é só esperar para ver", é o que pensa a maioria. Mas é claro que não vai.

Não é que não vá dar certo porque Bolsonaro é mau. É a própria natureza humana agindo. Se o presidente tem carta branca da população para falar ou fazer o que quer, então ele não tem com o que se preocupar. Poderá agir de forma displicente e inconsequente sem sofrer nenhum rechaço. Com isso, cedo ou tarde, a conta chega. Nós é que pagamos a conta.

No caso específico de Bolsonaro é importante ressaltar que há, em seu governo, um grupo de revolucionários que se auto-proclamam conservadores. O núcleo ideológico do governo, composto principalmente pelos olavettes e evangélicos, nada tem de conservador. O próprio Olavo jamais foi um conservador de verdade e nunca quis sê-lo, quis apenas fingi-lo. Mas no tocante a esta guerra de narrativas está claríssimo que eles estão vencendo. Eles conseguiram fazer valer a ideia de que articular com o Congresso é o mesmo que praticar corrupção. 

Com qual finalidade esta ideia precisa prevalecer? 

Para entender porque uma narrativa é criada e propagada, antes é preciso entender a quem ela beneficia. Neste caso o maior beneficiado é justamente a quadrilha ideológica do governo, ou seja, o núcleo forte composto pelos dois filhos do presidente (Carlos e Eduardo) e os olavettes em geral. Eles precisam fortalecer a grande mentira que levou Bolsonaro até o poder, ou seja, o discurso de que ele é honesto e que, na realidade, é o único honesto em um mar de corruptos. Quem souber somar dois e dois sabe que isso é falso, mas a maioria não sabe nada de matemática por essas bandas.

Bolsonaro chegou ao poder por meio de uma fraude eleitoral bem engendrada. A principal narrativa da campanha foi e ainda é - a campanha nunca acaba - a de que ele é o ícone do combate à corrupção. Não é, nunca foi e provavelmente nunca será. Quem conhece o histórico da família sabe disso. O problema é que os crimes diversos cometidos pelo clã são pequenos perto de toda a sujeira costumeira da política tupiniquim. Como o Brasil é um país destruído moralmente, em grande parte por culpa da extrema-esquerda, não é difícil entender porque as pessoas não se importam tanto com isso. 

Tem tanta gente roubando milhões que os "pequenos" desvios do gabinete do Flávio no Rio parecem banalidade. Pessoas com uma bússola moral quebrada, como é o caso do brasileiro médio, jamais serão capazes de discernir logicamente entre o certo e o errado. Na visão destas pessoas, um erro maior anula um erro menor. Novamente, elas não sabem somar, só sabem subtrair.

E por que a culpa é nossa? Porque nós sempre permitimos. Somos negligentes demais com os fatos. Muitos de nós apoiamos o voto em Bolsonaro porque não queríamos Haddad. Com ele seria pior? Melhor com certeza não seria. Mas aí voltamos ao ponto anterior. Escolhemos um erro menor porque achamos que isso anularia um erro maior. Fomos coniventes com o erro da mesma forma que os petistas também foram ao votarem em Dilma e Haddad. Eles sabiam que estavam errados e nós também, só fingimos que não. Fingimos, para o nosso próprio bem estar psicológico, que deixar um canalha menor chegar ao trono seria a opção mais sensata, quando a verdade é que só estávamos repetindo o mesmo erro que os brasileiros cometeram lá em 2002 ao elegerem Lula. Não por acaso muitos daqueles eleitores são os mesmos que votaram em Bolsonaro no ano passado. Eles foram enganados uma vez e, por vingança, aceitaram o engano de novo.

Que a população foi enganada novamente na eleição passada já está mais do que evidente. Desde janeiro isso já ficou claro. Mentiras às pencas foram ditas nos debates, na propaganda e principalmente nas redes sociais. Aqueles que hoje estão no poder jogaram o mesmíssimo jogo dos que não estão, com a diferença de que foram bem sucedidos. 

Em tempo, vejo por aí pessoas que atacam frontalmente o atual presidente mas que sabidamente elegeram Dilma em 2014. Para estas pessoas deixo claro o seguinte: Vocês não são melhores em nada, não são diferentes de quem elegeu Bolsonaro. São iguais, senão piores, porque sabiam que era um erro e o cometeram assim mesmo.

A catástrofe já está em curso outra vez. Desejo a todos boa sorte, porque é demais pedir bom senso.
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