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Sobre Carlos Andreazza: Eles simplesmente o odeiam

Carlos Andreazza não é odiado pelos MAVs da direita por ter errado. Ele é odiado por ter dito o que eles não gostam de ouvir. É indiscutível, antes de qualquer coisa, que Andreazza errou em algumas análises recentes, mesmo que ele também tenha acertado em um passado recente. Isso, contudo, não é importante. Analistas erram.


Se o erro de uma análise fosse o verdadeiro problema, Flávio Morgenstern teria sido odiado quando cravou a vitória de Celso Russomanno em entrevista para a Jovem Pan. Olavo também teria sido odiado quando afirmou que o impeachment não aconteceria, passando a criticar todos aqueles que aderiram ao plano. Mais do que isso, Olavo chegou a escrever que "bater panela" era muito mais importante do que lutar pelo impeachment no Congresso.

Eles não foram odiados. Ainda não o são. O motivo é óbvio: eles fazem parte da turma. Quem faz parte da turma não tem obrigação de acertar. Vale a máxima de Maquiavel. "Aos amigos os favores, aos inimigos a lei!". Olavo errou muito mais vezes do que acertou, sem mencionar as contradições constantes de alguém que ora apoia general Mourão, ora diz que ele não presta. Ninguém o confronta por pura e simples submissão ao mestre. 

Se eu tivesse errado absolutamente todas as minhas análises - e errei bem poucas, diga-se - mas fosse submisso a eles, dizendo o que querem ouvir, seria idolatrado. Me chamariam de professor. Me dariam até dinheiro para manter o blog em pé. 

Andreazza pode ter errado análises, mas ele se arriscou. Se tivesse acertado seria igualmente odiado não por estar certo ou errado, mas por ter dito alguma coisa que não agrada aos ouvidos radicais. Diante do caso, li um comentário de um sujeito dizendo que ele, em suas análises, não cometeu erros. Fui ver quais eram as análises e, sem surpresa alguma, observei que na realidade o sujeito não analisou absolutamente nada. É fácil não cometer erros se você não disser ou fizer nada. Se uma análise não tem método, se é só um mero palpite, se ela não possui qualquer embasamento além da opinião do autor, é evidente que não estará errada. Opiniões nunca estão objetivamente erradas.

É como escrevi a respeito da vitória de Bolsonaro. Muitos ditos analistas de direita apostaram nisso e "acertaram", mas a verdade é que não fizeram nenhuma análise, foi só uma torcida. Desejavam que acontecesse e aconteceu, sem qualquer metodologia ou embasamento objetivo. O que eu fiz foi apenas me manter cético. Até o início do período eleitoral não havia sinais de que Bolsonaro realmente poderia vencer. No entanto, meu primeiro texto feito neste período já tratava isso como uma possibilidade. Logo no começo da campanha, quando escrevi a respeito da estratégia tucana, expus os fatores que poderiam levar Bolsonaro ao segundo turno e tirar Alckmin do páreo. Quem tiver lido o que eu disse sabe que eu estava certo.

É como alguém que tivesse afirmado que o Brasil perderia para a Bélgica na Copa, como eu disse que aconteceria. Foi apenas um palpite, não havia como saber. O Brasil poderia ter vencido, tinha até um time melhor, mas não venceu. Em 2014 houve, na empresa em que eu trabalhava, um único maluco que acertou o bolão do 7 a 1. Quem poderia prever? Ninguém. Foi pura sorte.

A vantagem em se fazer torcida no lugar de análise é que você nunca erra. Se o que você deseja não acontece, basta dizer que era o que você queria que acontecesse e não o que você achava que iria acontecer. Uma saída elegante, mas mentirosa. 
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