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Remover Ernesto Araújo é primordial para a saúde do governo

Já tratei a respeito dos ataques grotescos de Olavo de Carvalho contra os generais, em especial sobre as acusações graves que o vigarista tem lançado contra o vice-presidente Hamilton Mourão. Mas não para por aí. Rechaçar Olavo de Carvalho, que vive confortavelmente longe do Brasil, pode não ser suficiente e talvez nem deva ser o foco.

Pessoalmente, defendo que o responsável mais direto por qualquer ação é aquele que a executa. Quem dá a ordem tem culpa, mas quem cumpre a ordem é duplamente culpado. Olavo não teria tanta audácia para agir como tem agido se ele não tivesse uma legião de capangas, de cúmplices, de gente que está disposta para, aqui no Brasil, levar a cabo seu projetinho político nefasto.

Ricardo Velez, o Ministro da Educação, é um caso até o momento claro de incapacidade técnica para o cargo. Diferente do que foi prometido em campanha, a escolha foi absolutamente ideológica. Mas ele, contudo, nem é o pior. Ernesto Araújo, que ocupa hoje o estratégico cargo de Chanceler, precisa ser eliminado do governo com a maior urgência.


O diplomata olavette na realidade também é petista. A propósito, ele possui vínculos estreitos com o PT e se manteve bem próximo ao partido até a ocasião do impeachment. Recentemente, em uma atitude absurda, Araújo causou sérios problemas na relação entre os militares brasileiros e venezuelanos. 

Em 4 de janeiro, em reunião com o Grupo de Lima, no Peru, o diplomata agiu de forma unilateral, sem consultar a inteligência do Exército, e rompeu a cooperação militar entre os exércitos dos dois países. O problema, contudo, é que os militares brasileiros obtinham através do blackchannel, um canal de comunicação entre os oficiais, informações de importância estratégica sobre o que acontece no regime de Nicolás Maduro. Como a Venezuela é uma ditadura, naturalmente se obtém mais informações através de canais militares do que os meios diplomáticos usuais.

A atitude é grave, não se trata de um mero erro. Ernesto agiu desta forma para entrar em uma queda de braço com a ala militar do governo, causando com isso danos estratégicos. Não é por acaso que os militares agora estejam de olho em toda movimentação do Chanceler para assuntos mais sensíveis, em especial a crise venezuelana. Em tempos normais o caso poderia bastar para uma exoneração. Por incompetência ou, pior, por má fé, o ministro demonstrou ser inadequado para o cargo.

Se isso não bastasse, temos mais uma novidade. Ernesto Araújo está no Canadá e por certo quem assumiria seu lugar é o diplomata Otávio Brandelli, que está de férias. Sendo assim, o cargo no momento está nas mãos do embaixador João Pedro Corrêa Costa. Talvez você nunca tenha ouvido falar dele, mas o Ministério Público Federal o conhece bem.

"Mantido por Araújo no cargo de subsecretário-geral de Serviço Exterior do Itamaraty, Corrêa Costa foi denunciado pelo MPF, em 2015, por prevaricação e advocacia administrativa. O diplomata foi acusado de atuar ilegalmente para manter em sigilo telegramas que apontavam o envolvimento de Lula na obtenção de contratos para Odebrecht no exterior. Em setembro do ano passado, ele conseguiu suspender o processo criminal na Justiça Federal em Brasília." (O Antagonista)

Ernesto tinha a opção de demitir ou pelo menos remanejar o embaixador acusado de crimes, mas preferiu mantê-lo. Estranho, no mínimo, mas pode ter algo a ver com o seu próprio passado petista. Talvez o Chanceler esteja apenas devolvendo alguns favores.

Para quem não sabe, Ernesto Araújo não é exatamente novo nesse meio. Ele é, de fato, diplomata de carreira. Apesar de nunca ter ocupado um cargo tão elevado, já esteve no Itamaraty em outros períodos. Em 2008, por exemplo, Araújo era conselheiro no ministério. Isso foi na época do governo Lula, cuja política externa era publicamente defendida pelo atual Chanceler. O Nexo fez uma excelente matéria a respeito, vale a pena conferir. Araújo ajudou a implementar as mesmas políticas que hoje afirma combater. Mais um caso de "epifania moral" ou, talvez, apenas picaretagem das bravas. O caso é que não se pode achar tudo isso muito normal.

Para finalizar, ainda, Ernesto Araújo até poucos anos atrás acreditava que os guerrilheiros comunistas aqui no Brasil estavam certos, chegou até mesmo a defender Dilma Rousseff. A Época citou um trecho de seu discurso, em 2011, num evento realizado nos EUA:

"Especialmente entre os jovens não havia esperança de ver a democracia restabelecida por meios pacíficos. A impressão era que o governo militar ia ficar para sempre. Então muitas pessoas, a despeito das instituições, decidiram pegar em armas. Ela (Dilma) foi parte disso (…). Não foi a luta direta com armas que derrubou os militares. Mas é claro que essa luta (guerrilha) foi importante como parte de um movimento geral em direção a mais democracia, que era basicamente um movimento pacífico."

É uma estranha escolha de palavras para alguém que é tutelado pelo grande guru ideológico da "verdadeira direita". Mais esquisito ainda é o silêncio do Carlos Bolsonaro a respeito dessa escolha, uma vez que para atacar Bene Barbosa o que lhe bastou foi uma pequena e pontual discordância. 

Há algo de podre no reino do Brasil. Olavo deve ter algum objetivo bem nefasto em mente.
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