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Flávio Bolsonaro e a mais típica picaretagem

Acompanhei as duas sessões no Senado relativas à votação para presidente da Casa. Assisti a tudo, tanto na sexta como no sábado, e algo bastante notório aconteceu. Não falo aqui dos chiliques de Kátia Abreu, nem da desistência de Renan quando sentiu que iria perder de qualquer jeito, porque tudo isso faz parte do pacote do Senado Federal. O que quero tratar aqui é da malandragem típica de um picareta.


Nas duas sessões, que somadas duraram quase um dia inteiro, Flávio Bolsonaro se manteve quieto. Sua única manifestação foi no momento da posse, em que os senadores eram obrigados a jurar pela Constituição. Em todo o restante do tempo, desde sexta-feira à tarde até o início da noite de sábado, o senador não deu um pio. Ele assistiu em silêncio todo o barraco armado por Kátia Abreu; não se manifestou sobre a discussão acerca de Davi Alcolumbre poder ou não presidir a sessão; ficou em total quietude diante da fraude na primeira votação; também não retrucou as insinuações de Renan Calheiros no final. É bem estranho para alguém que gosta tanto de falar. O silêncio é atitude de quem consente no parlamento.

O que também chamou bastante atenção foi o voto. Diante dos fatos ficou evidente que Flávio votou em Renan Calheiros, de forma envergonhada e silenciosa, e que depois, na segunda votação, mudou o seu voto. O comentário feito pelo próprio Renan ao anunciar sua desistência, inclusive, insinuava haver um acordo entre as partes, ao qual Flávio não retrucou. Novamente, quem cala consente.

Seguindo a linha do tempo, as coisas se deram da seguinte maneira:

No final da semana diversos senadores, incluindo Major Olímpio, Simone Tebet e outros rivais de Renan, se reuniram a fim de discutir uma estratégia para evitar a vitória do MDB. Flávio não participou deste encontro, apesar de ser senador eleito e estar no mesmo partido de Olímpio. Isso tudo aconteceu no mesmo dia em que Renan havia ganhado a concorrência dentro do próprio partido, quando recebeu um telefonema de Jair Bolsonaro o parabenizando. 

Essa ligação entre o presidente e o senador alagoano foi vazada para a imprensa, por alguém de dentro do Planalto, e muitos acreditam ter sido o Onyx. O ministro sabidamente apoiou Davi Alcolumbre, e a especulação é que ele tenha vazado a informação para gerar pressão interna e desestabilizar qualquer possibilidade de aliança entre Renan e o governo. 

Depois que a imprensa publicou a informação, então Jair se deu conta do problema e resolveu ligar para os demais candidatos, a fim de amenizar a situação. Onyx entrou no jogo e em seu Twitter culpou a imprensa. Até aí nada mais natural.

Ao chegar na sessão de posse, na sexta, Flávio Bolsonaro trocou um abraço apertado com Renan, em uma situação poucas vezes vista. Depois ele se calou e ficou aguardando a votação, que se deu ontem a tarde.

Como o STF havia determinado o voto secreto - na realidade respeitando o regimento do próprio Senado - ficou acordado que todos aqueles senadores que queriam o voto aberto fariam questão de divulgar o seu voto. Como Flávio Bolsonaro não havia sequer dito alguma palavra, ele não estava comprometido com isso. Ao votar, escondeu o voto, enquanto outros membros de seu partido cumpriram a palavra e mostraram.

No Twitter, após ser criticado por seus próprios seguidores, Flávio postou o seguinte:


A justificativa é completamente falsa. Não haveria nenhum problema para o governo que ele, enquanto senador - porque "filho de presidente" não é cargo público ou político - votasse em Davi Alcolumbre, uma vez que este era o consenso no partido. Aliás, qualquer outro voto que não fosse em Renan jamais comprometeria o governo do pai. O único voto que poderia trazer danos à imagem do governo teria sido o voto em Renan Calheiros.

Contudo, sejamos bondosos com o garoto. Vamos aceitar que esta justificativa pífia possa ser verdadeira. Como é que então, minutos depois, na segunda votação, ele resolve mostrar seu voto? Se antes havia problema mostrar o voto porque prejudicaria o governo, porque tão pouco tempo depois não havia mais problema algum?

A explicação é bem simples.

Na primeira votação ainda não se tinha a dimensão sobre a força de Davi contra Renan. Na realidade, até aquele momento, era um jogo às escuras. Esperava-se que Renan ainda pudesse sair dali vitorioso. Depois da primeira votação, quando diversos senadores mostraram seu voto em Davi ou até mesmo em Amin, ficou evidente que Renan não estava em uma situação tão favorável quanto parecia. Tudo indicava vitória de Davi Alcolumbre, e ele de fato teria vencido já na primeira votação se não tivesse ocorrido aquela fraude.

Na segunda votação, portanto, Flávio sentiu que seu voto em Renan não seria mais útil, já que ele perderia de qualquer jeito. Sendo assim, preferiu se redimir perante o público votando no candidato que todos já sabiam que iria vencer.

A quem esse sujeito acha que engana?
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