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Bolsonarismo: Um novo nível de duplo padrão

Passamos anos apontando o dedo para a esquerdalha, criticando seus métodos, suas mentiras, mas principalmente o duplo padrão que sempre foi empregado por eles. Se era machismo rir de uma piada de estupro, também não havia machismo quando Lula e Dilma riam. Se havia homofobia nos comentários feitos por Jair Bolsonaro, não havia homofobia alguma quando Lula falou que Pelotas era uma "exportadora de viados". 


Eis que o bolsonarismo inaugurou, então, um novo nível de duplo padrão. Os apoiadores mais céticos do governo não se enquadram, mas os fiéis devotos da seita já perderam a régua moral há meses. Para estes, que passaram anos acusando Dilma de ter mentido em campanha, não há problema algum que Jair também tenha mentido e descumprido promessas logo no começo do governo. A passada de pano para o caso da "TV Lula" foi sem nenhuma dúvida a mais clara demonstração disso. O mesmo ocorreu com o decreto das armas, sobre o qual o presidente mentiu copiosamente no dia da posse.

O recente caso envolvendo Gustavo Bebianno deu a todos mais uma amostra desse comportamento. Carlos Bolsonaro divulgou - provavelmente a pedido do pai - um áudio de Jair Bolsonaro conversando com o então ministro. Ele fez isso no Twitter. Todos aplaudiram, dizendo que era certo por expor "a verdade". Bebianno, em seguida, para provar que não estava mentindo - e não estava mesmo - divulgou também sua conversa com o presidente, no que foi acusado de traição. 

Bebianno, que era até então ministro de Estado, deveria aceitar ser chamado de mentiroso pelo filho do presidente e ter sua imagem manchada sem reagir, sem se defender. Por ter se defendido, foi exonerado. Os devotos aplaudiram a demissão e disseram que era absurdo o ministro divulgar sua conversa com o presidente, ao mesmo tempo em que aprovaram cegamente a atitude de Carlos ao divulgar uma conversa entre o presidente e o ministro.

O que estamos vendo é o mesmo padrão comportamental dos petistas, mas com um agravante: é muita passada de pano para pouco governo. Em menos de dois meses Bolsonaro já conseguiu mentir e se omitir de sua função presidencial tantas vezes que chega a fazer sentirmos saudades de Michel Temer. É crise atrás de crise, e quase todas estas crises foram causadas pelo próprio governo, seja pelo presidente em pessoa, seja pelos membros mais radicais de seu partido, seja até mesmo pelos filhos a mando dele. 

A questão é que os bolsonaristas já enfiaram a cara no meio da lama, agora sentem vergonha de limpar. Para eles recuar não é mais opção, há muito em jogo. Blogueiros que ganham dinheiro do partido, "formadores de opinião" que recebem carguinhos no governo, no fim das contas o que temos é o PT verde e amarelo. Em nome da "pátria amada" pode-se até mesmo incendiar o Brasil. 

É o governo dos farsantes irresponsáveis.
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