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A reforma da previdência é de Paulo Guedes, não de Bolsonaro

Durante toda a campanha eleitoral o presidente afirmava que Paulo Guedes era o seu "posto Ipiranga". O discurso era bem simples. Bolsonaro admitia não ter conhecimento algum em economia, afirmava que isso era uma prova de sua humildade, e que para resolver este problema colocaria gente competente em seu governo.

A promessa de colocar pessoas capacitadas foi apenas parcialmente cumprida. Os casos mais notórios, além dos militares, são Guedes e Sérgio Moro, que não só possuem qualificação como também são respeitados em suas áreas. Bolsonaro não é capacitado nem mesmo em política, o que se prova através do caos que seu governo conseguiu gerar em apenas um mês e meio de existência.


Eis que agora, com o texto da reforma previdenciária sendo protocolado no Congresso, os minions adotaram um discurso interessante, mas completamente desviado dos fatos. Eles dizem que a reforma é de Bolsonaro. Isso aconteceu no perfil de Kim Kataguiri, quando a horda zumbi se uniu para atacá-lo com esse discurso. Um ataque evidentemente coordenado e nada espontâneo.

Assim como o pacote anticrime apresentado é obra de Sérgio Moro e sua equipe, a reforma da previdência é obra de Guedes e sua equipe. Jair Bolsonaro nem mesmo é favorável à reforma, ele só vai deixar que façam por saber que se trata de uma necessidade. Quando Temer estava no governo e propôs a reforma, com um texto bem similar, o atual presidente que ainda era deputado esculachou a proposta. Ele foi contra. Ele ainda é contra, mas não há o que fazer para evitar.

Seja como for, Bolsonaro também não fez o menor esforço para ajudar. Pelo contrário, aliás. Os escândalos gerados dentro do Planalto, em especial através do presidente e seu filho, tornaram a aprovação do texto mais difícil. A imagem de instabilidade do governo prejudica o diálogo com o Congresso. 

O setor neoconservador, que é a base de aliados mais próxima do núcleo do presidente, não liga a mínima para a reforma. Os liberais, conservadores e centristas é que estão trabalhando por ela, e eles têm feito tudo sozinhos. Até o MBL fez mais pela reforma do que o presidente e sua turminha, uma vez que o movimento bem atuando há mais de ano para conscientizar o público a respeito. Fato é que sem Paulo Guedes essa reforma não seria possível.

A verdade é que Bolsonaro usou Paulo Guedes como isca. O ministro, é claro, aceitou o convite porque não é idiota. Para ele é um salto e tanto na carreira entrar no governo e fazer um bom trabalho - isso se permitirem que ele faça. O presidente em campanha usou Paulo Guedes para atrair a confiança do mercado, dos empresários, do setor liberal, dos centristas e conservadores mais céticos e preocupados com os rumos da nossa economia. 

Agora o mesmo Jair Bolsonaro, através de sua milícia virtual e dos blogs estatais, quer atirar em Guedes pelas costas, tirando dele os méritos e conquistas. Mas certamente, se a economia der errado, se a reforma não passar ou se qualquer problema vier a acontecer, Bolsonaro tirará o seu da reta e colocará a culpa em Guedes. Como um bom neoconservador, ele quer socializar os prejuízos, não os lucros.
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