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Sobre o caso Jean Wyllys e as proporções indevidas

Ontem Jean Wyllys declarou para a Folha de São Paulo que não assumirá seu mandato como deputado federal. Mais do que isso, ele disse também estar saindo do Brasil, e alegou que esta decisão tem a ver com ameaças que teria sofrido.

Talvez seja verdade, talvez não seja. Há inúmeras hipóteses. Em se tratando de Jean Wyllys, que não tem uma reputação muito boa como alguém em quem se possa simplesmente acreditar, além do óbvio fato de ser um político, tenho forte inclinação a suspeitar dessas ameaças. Acredito que seja totalmente possível se tratar de uma mentira apenas para chamar mais atenção, talvez até mesmo para colocar seu partido em destaque.


A verdade, no entanto, é que não sabemos até o momento a veracidade ou não destas afirmações. Políticos sofrerem ameaças no Brasil não é exatamente algo raro, especialmente no Rio de Janeiro. É fato, por exemplo, que Marcelo Freixo sofreu ameaças de milicianos diversas vezes na época da CPI, e ele utiliza seguranças armados há anos. Também é fato que Jair Bolsonaro sofreu uma tentativa de homicídio, bem como é fato que Fernando Holiday, dias atrás, quase foi alvejado por um tiro dentro de seu próprio gabinete na Câmara de São Paulo.

O problema todo neste caso é que parte da direita tem adotado uma postura perigosa, na qual acusa Jean Wyllys de estar mentindo. Prefiro não ir por este caminho, acho imprudente. Existe, sim, uma possibilidade de que ele esteja dizendo a verdade, e se no futuro estas ameaças vierem a ser provadas tudo isso vai pegar mal para nós. Portanto, prefiro adotar em casos assim a postura de General Mourão, que simplesmente afirmou que deve-se investigar o caso para apurar, já que Jean falou sobre as ameaças de modo genérico.

No entanto, a coisa não para por aí. 

Ontem surgiram algumas teorias conspiratórias bem pesadas a respeito do caso. Uma suposta jornalista chamada Regina Vilela, em um vídeo publicado no Youtube, apresenta a tese de que foi Jean Wyllys quem mandou matar Bolsonaro, que por isso estaria fugindo do país. 

Primeiramente, é bom deixar claro, não é tão improvável assim que um político mande matar seu adversário, esse tipo de coisa acontece recorrentemente. A questão em si é que o vídeo tem em seu título o formato sensacionalista bombástico de uma revelação, mas no conteúdo ele não nos dá nenhuma evidência que suporte a afirmação. Ou seja, deve-se simplesmente acreditar na palavra da jornalista. Não parece fazer sentido!

Veja o vídeo, que é bem longo, e tire suas próprias conclusões:


Note que no título do vídeo, ao final, está escrito "Joice Hasselmann". Não sei se é algum tipo de insinuação de que a informação veio dela, mas até o momento a própria Jnão disse nada a respeito disso. 

Outro caso até mais radical foi o do canal Revoltados On-Line, que entrou na mesma onda e publicou hoje um vídeo no qual acusa Jean Wyllys de ter mandado matar Bolsonaro em conluio com Alexandre Frota. Veja:


Mais uma vez o conteúdo apresentado não traz nenhuma evidência, apenas a palavra do autor, que diz ter contatos na PF, na Venezuela (?), etc. 

Temos um problema grave aqui e ele precisa ser levado a sério. Se esta informação não procede - e a ausência de provas indica que não procede - é um caso de fake news dos mais pesados. Eles estão acusando um deputado federal de tentativa de homicídio contra um então candidato a presidente, e tudo isso sem prova material nenhuma. Os vídeos falam em "coincidências" que serviriam para embasar a teoria, mas coincidência não é prova de coisa alguma. Se uma coincidência pudesse servir como prova para algo, todos nós estaríamos presos por algum motivo.

Em resumo, temos de um lado os malucos da extrema-esquerda que insinuam ligação de Flávio Bolsonaro com a morte de Marielle Franco. Do outro lado malucos de direita que acusam um deputado de esquerda de um crime gravíssimo sem nenhuma prova. Qual a tensão que isso vai gerar? Estes videos estão repercutindo, tem gente acreditando neles. Se essa notícia se espalhar e vier a ser provada como falsa, tudo isso pega muito mal para nós. E depois que acontecer não vai adiantar reclamar quando nos acusarem de produzir fake news, nem vai adiantar reclamar das fake news da esquerda se esse tipo de conteúdo continuar viralizando.

A respeito da declaração de Jean Wyllys, resta apenas cobrar que sejam apresentadas ao público estas ameaças. Se for verdade é um assunto grave e de interesse de todos, mas se for mentira também é. Não se pode, no entanto, agir como se já estivesse comprovada a mentira ou como se a possibilidade de isso ser verdade fosse totalmente nula.
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