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Política é a arte do possível? Então não prometa o impossível!

Diante da imensa decepção causada pelo decreto das armas, que não mudou praticamente coisa alguma sobre o acesso às armas, tem sido muito comum ver gente dizendo, para justificar, que "política é a arte do possível". Esse tipo de reação vem sempre daqueles que passaram os últimos três, quatro ou até cinco anos encabeçando o movimento pró-Bolsonaro.

A frase, no entanto, é quase verídica. Política é mesmo a arte do possível, especialmente em um país como o nosso, no qual a política domina todas as esferas da sociedade de forma onipresente. E muitas vezes o que é possível não é satisfatório.


Sobre o decreto em si, verdade seja dita, não dá para questionar que o que foi feito é o que estava dentro do alcance. Provavelmente isso até é verdade. O problema nem mesmo é este. O que causa decepção nunca é o fato em si, é a expectativa. E neste caso o governo criou uma expectativa muito maior do que o fato.

Se política é a arte do possível, cabe ao político ter a inteligência e a decência de não prometer o impossível. Bolsonaro prometeu, e como era esperado ele não fez. Se não fez porque não era possível, errou na promessa. Se não fez porque não quis, errou ainda mais por ter mentido. Em ambos os casos é totalmente justo criticar o decreto por ele estar muito aquém do esperado. 

O mesmo também ocorreu em outros temas, tais como a promessa de extinção da EBC, a famigerada TV Lula. Aconteceu igualmente com a saída do Brasil do Acordo de Paris. Nos dois casos o governo prometeu e não fez. E é bem provável que não tenha feito até por não ser possível. 

Este é o maior problema que Bolsonaro tem a enfrentar: suas próprias promessas. Ele prometeu mudanças drásticas na economia, prometeu mudanças no Código Penal, prometeu mudanças em toda a estrutura política do país e prometeu até mesmo alguns milagres que sabemos não serem tangíveis. Ou seja, toda a sua campanha se baseou em promessas difíceis ou impossíveis. Diante disso fica claro que ele será duramente criticado a cada decisão moderada ou pouco agressiva que tomar.

Quando o ministro Ricardo Salles disse que o governo irá manter o Brasil no Acordo de Paris, houve decepção. Quando Santos Cruz afirmou que o governo vai manter a EBC, também houve decepção. Mas a decepção não existiria se a promessa também não existisse.

A realidade sempre é mais dura do que a ficção. Os fatos sempre vencem as narrativas. Pessoas maduras sabem que não é possível um presidente, por mais que queira, fazer o que bem entende e do jeito que quiser. Ao menos não em um país com instituições bem estabelecidas. 

O que provavelmente aconteceu no caso do decreto é que houve pressão interna. Há rumores de que Sérgio Moro seja favorável ao desarmamento ou a uma regulação mais restritiva sobre as armas. Há rumores de que membros do PSL não sejam totalmente alinhados com o tema. Além disso, um presidente precisa de aliados para governar, e é muito provável que algumas alas do DEM e do MDB tenham pressionado o governo a lançar um decreto mais fraco, sem mudanças radicais. Mas isso tudo era previsível, não é? Se eu sei desta realidade, certamente Bolsonaro, que é político há décadas, também sabe.

O sentimento de grande parte dos apoiadores do presidente é o de que foram iludidos. E eles foram mesmo. Ainda que Bolsonaro não tenha feito isso de caso pensado, se ele o fez por mera incompetência ou falta de planejamento, de qualquer forma ele enganou seu eleitorado.
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