Header Ads

O maior golpe eleitoreiro da história do Brasil

Diante dos fatos pouco há para se argumentar. Minhas suspeitas históricas sobre aqueles que diziam querer salvar a pátria, é claro, estavam completamente certas. A essa altura já dá para cravar, sem nenhum resquício de dúvidas, que a eleição de 2018 foi o maior golpe publicitário já praticado neste país. 


A afirmação é grave e sei que muitos vão questionar: "Mas e o PT?" 

Pois bem. 

O PT não chegou a praticar um golpe eleitoral de tamanha proporção. O partido praticou, sim, um enorme assalto aos cofres públicos e sem nenhuma dúvida deixou a economia em frangalhos, bem como causou danos possivelmente irreversíveis à estrutura social e política do Brasil. Mas, eleitoralmente, não dá para dizer que o PT enganou ninguém. As pessoas é que se deixaram enganar. Os planos do partido sempre foram muito claros, bem como sua orientação. Membros do partido sempre falaram abertamente sobre a necessidade de controlar a imprensa, sobre a urgência em parar a Lava-Jato, sobre o interesse claro que tinham em aparelhar as instituições.

Qualquer um que acompanhe a política, em qualquer época, poderia descobrir por conta própria todas estas informações. Nunca foi um segredo que o PT tivesse este viés marxista e totalitário. O partido manteve em seus quadros ex-guerrilheiros, ativistas socialistas conhecidos, sindicalistas, etc. Resumidamente, as pessoas que acreditaram no PT poderiam muito bem saber quem eles eram de verdade. Elas escolheram acreditar ou pelo menos negligenciaram a tal ponto em que votavam apenas por achar que o PSDB era pior.

As eleições do ano passado, por outro lado, foram com certeza uma grande fraude publicitária e hoje é bem mais fácil de compreender todos os sinais. Mas na época, é claro, quem votava não tinha todas as informações que se tem hoje, então era totalmente possível que, por inocência, acreditassem que estavam fazendo a coisa certa. Para explicar todos os pontos, este texto precisará ser longo, mas farei o possível para ser objetivo.

2013

A ascensão de grande parte das atuais lideranças políticas "de direita" se deu em 2013. Antes disso existia apenas alguns grupos dispersos e sem influência no debate político nacional. O próprio Olavo de Carvalho até esta época era alguém totalmente marginal. Não se falava dele fora do seu nicho senão para tratá-lo como piada. Mesmo na internet sua influência era pequena.

Com os protestos de 2013 surgiu uma oportunidade para muitos. Houve um sentimento difuso por parte da população, que queria mudanças, que queria até mesmo uma revolução na política. Mas estes anseios não foram atendidos de imediato. Isto porque, como disse, não havia movimentos realmente organizados que pudessem atender esta demanda. 

Gradualmente estes movimentos foram surgindo, começaram a tomar corpo. Pouco tempo depois apareceram o Revoltados On-Line, o MBL, o Vem Pra Rua, além de uma série de movimentos menores e políticos que enxergaram uma grande oportunidade. Com o tempo tudo isso tomou corpo, e então veio o impeachment de Dilma Rousseff, a primeira vitória popular durante todo esse processo.

Sendo assim, já estamos em 2016. Você lembra o que mais aconteceu naquele ano?

Após o impeachment de Dilma, a esquerda perdeu o controle. Agora o PT era oposição. Michel Temer, que não era exatamente o presidente que todos queriam, no fim das contas estava fazendo o que era necessário. Nas eleições municipais daquele ano, o discurso do golpe feito pelos petistas claramente os afastou ainda mais da população. A resposta veio de forma rápida. Nas urnas, os petistas apanharam do povo. O recado havia sido dado, mas eles ainda assim não o entenderiam.

2017 - A histeria tomou conta

João Doria, então prefeito de São Paulo, se destacou rapidamente no cenário político nacional. De um lado, petistas raivosos e a imprensa o atacavam com ou sem razões. Do outro lado, grande parte da população se via satisfeita com um prefeito que, ao menos inicialmente, cumpria sua palavra. A euforia se estabeleceu e acabou virando briga de torcida. 

Neste ponto o MBL, que apoiou João Doria, tentou uma manobra arriscada e passou a fomentar a ideia de que o prefeito poderia ser o próximo candidato a presidente do Brasil. Mas houve gente, além dos petistas, que não gostou muito disso.

É preciso ter em mente que em paralelo a tudo isso que ocorreu desde 2013, Bolsonaro era sempre um assunto em pauta. A imprensa o ajudava fazendo manchetes ridículas nas quais enaltecia suas características que justamente mais agradavam seu público. Fosse para amá-lo ou para odiá-lo, ele estava sempre envolvido nas discussões políticas, em toda parte, por todo o tempo. Sua campanha eleitoral já havia começado.

Com a mera hipótese de João Doria ser candidato à presidência, surgiu uma guerra. Os apoiadores de Bolsonaro perceberam já naquele ano que teriam um problema a enfrentar: a própria direita. O capitão era visto por muitos como uma aposta pouco provável, e mesmo aqueles que o apoiavam tinham dúvidas sobre sua viabilidade. Mas é claro para qualquer um que tenha entendido o cenário político até aquele período que Bolsonaro não teria problemas para enfrentar o PT nas urnas. Seu maior problema seria enfrentar outros candidatos de centro ou de direita. Como eles resolveram este problema?

A campanha de Bolsonaro precisava garantir que o sentimento popular antipetista servisse para lhe dar palanque. Para isso, tinha que neutralizar qualquer possível candidatura em seu mesmo espectro político. João Doria passou a ser atacado duramente, muitas vezes até de forma injusta. A massa de adeptos do bolsonarismo, que é facilmente manipulável, seguiu as ordens da chefia e entrou nesta guerra. 

É claro que João Doria não é santo nessa história. Ele também vacilou e permitiu que fosse possível neutralizá-lo. No entanto, a coisa toda não parou por aí.

2018 - As falsas narrativas

Conforme as eleições se aproximavam, o movimento bolsonarista precisava construir uma narrativa sólida, capaz de grudar no psicológico da população. Mas isso não é tão simples quanto parece, especialmente quando a narrativa não é verdadeira. Para que o plano desse certo, portanto, esta narrativa precisava pelo menos ser verossímil. Isso bastaria.

Primeiramente, qual era a narrativa? A narrativa dizia que Bolsonaro e seus fiéis seguidores eram os únicos verdadeiramente interessados em combater a corrupção, o petismo e os avanços do comunismo no país. Tática da guerra fria em que até mesmo caras espertos da direita acabaram acreditando. 

Para tornar esse discuso verossímil, porém, ainda faltava uma coisa a ser feita: eles precisavam neutralizar qualquer um que também tivesse esse mesmo discurso. Ou seja, precisavam neutralizar não os petistas e seus aliados, mas os concorrentes do PT. Foi então que sobrou chumbo grosso para todo lado. 

João Doria já não era mais uma ameaça ao trono de Jair, mas Flávio Rocha poderia ser. Então o exército de escravos do bolsonarismo praticou o maior assassinato de reputação que alguém já viu neste país. Flávio Rocha foi vítima de ofensas, notícias falsas, acusações gravíssimas e até mesmo ameaças. Ele cedeu à pressão. Desistiu de concorrer e apoiou Bolsonaro. O primeiro caiu.

Mesmo assim, ainda restavam dois a serem abatidos. João Amoedo, do NOVO, e Geraldo Alckmin, do PSDB. E assim começou uma série infinita de mentiras e a manipulação da massa se fez presente. 

A verdade sobre Geraldo Alckmin, muitos podem querer saber, é que ele está longe de ser um tucano comum. Na realidade ele é ligado à Opus Dei, uma organização ultra católica e altamente conservadora. As acusações contra ele muitas vezes eram fajutas. Jornais tiveram que se desculpar por um "erro" cometido durante a campanha, no qual diziam que ele era investigado pelo MP, quando na verdade não era. 

É fato que a campanha de Alckmin foi péssima. O PSDB também não entendeu o panorama político do país. Mas ainda assim, do ponto de vista dos bolsominions, era um adversário a ser neutralizado. E eles fizeram isso da mesma maneira que fizeram ao Flávio Rocha.

Com Amoedo não foi diferente. Acusações, notícias falsas, histeria e até teorias conspiratórias. É preciso entender, aqui, que Amoedo não tinha reais chances de vencer a eleição. Mas ele era um candidato capaz de dividir votos com a ala bolsonarista. Por ter boas propostas e um histórico politicamente imaculado, muitos até votariam nele em vez de Bolsonaro. Por isso o clã precisava tirá-lo de campo.

A eleição

A falsa narrativa se tornou verossímil. Como não havia mais concorrentes viáveis em campo, todos eles aniquilados pelo próprio Bolsonaro, o povo realmente acreditou que ele era o único a lutar contra o PT. Ele era "a única opção". 

Foi então que a campanha esticou a corda ainda mais quando começou com o discurso de "vai ser no primeiro turno". Qual era o plano desta vez? Vender o medo de que o PT retornasse, e através deste medo forçar todos a votarem em Bolsonaro já no primeiro turno, tirando assim votos de João Amoedo, de Alckmin, de Meirelles e de quem quer que seja.

Naquele momento havia um sentimento normal em toda eleição. As pessoas votariam em seu candidato preferido no primeiro turno e, no segundo, escolheriam o menos pior. A campanha de Bolsonaro precisava garantir que isso não acontecesse. Através do medo diante da possível volta do PT, eles conseguiram vender uma mentira.

"Vai ser no primeiro turno" foi uma fraude estratégica para o plano dar certo. Eles tinham que garantir, já no primeiro turno, a neutralidade dos demais candidatos. Mas eles sabiam que jamais tirariam votos do PT ou de Ciro Gomes, a guerra era contra a própria direita e o centro. Então, nas redes sociais, espalhou-se a ideia de que todos os que não quisessem a volta do PT deveriam votar em Bolsonaro já no primeiro turno, "para garantir". No entanto qualquer idiota sabia que ele não venceria no primeiro turno, a própria campanha sabia disso. O plano era apenas destruir as candidaturas alternativas que estavam em jogo. E este plano funcionou perfeitamente.

Em verdade, o plano funcionou até demais. O resultado da eleição surpreendeu positivamente até o próprio PSL, que jamais imaginou eleger tantos parlamentares ou mesmo governadores. Para que você tenha uma ideia, o atual governador de Santa Catarina, Comandante Moisés, nem mesmo sabia o que fazer quando passou ao segundo turno. A expectativa de sua campanha não ia além do quarto lugar. 

Deste modo, através da fraude, o PSL elegeu muita gente que surfou no bolsonarismo. A estratégia funcionou além do esperado. O povo, por sua vez, mostrou que queria mudanças. E grande parte daqueles que se elegeram era justamente a mesma turma que, desde 2013, veio nadando no oportunismo diante dos sentimentos populares. Eram os homens e mulheres que iriam combater a corrupção, restaurar a alta cultura e moralizar a política em todo o país... Ou não.

Todos querem olhar para o outro lado

Flávio Bolsonaro - comprovadamente - tinha funcionários fantasmas em seu gabinete no Rio. Mas agora ele é senador eleito. Diante do que foi exposto, aqueles que aderiram ao bolsonarismo como religião querem olhar para o outro lado, eles não querem ver. No dia de ontem o STF, a pedido da defesa de Flávio, suspendeu as investigações sobre o caso Queiroz. Flávio quer que o caso seja tratado no Supremo em sigilo. Isso lembra bastante a prática petista, aliás, que tentou diversas vezes tirar os casos de Sérgio Moro e deixá-los na Suprema Corte. Mas se ele não tivesse nada a dever, não temeria, certo?

Em sua campanha Jair Bolsonaro fez diversas promessas, dentre as quais a extinção da EBC e a saída do Brasil do Acordo de Paris. Nestas duas pautas o governo já recuou. Também em seu discurso de posse o presidente havia prometido aprovar um decreto para a flexibilização da posse de armas. Havia, de fato, um decreto discutido ainda no governo de transição que faria isso. Mas Bolsonaro não aprovou este decreto. Em vez disso, apresentou um decreto novo que na realidade não muda muita coisa. Nem de longe parece o homem de palavra que vimos durante a campanha.

Nesta semana parlamentares do PSL foram à China, a convite do Partido Comunista Chinês, para avaliarem um sistema de reconhecimento facial e trazerem o sistema para o Brasil. A viagem foi paga pelo governo chinês, o que inclusive consiste em ilegalidade constitucional e, por certo, deveria causar a cassação do registro do partido. Mas esta nem é a pior parte.

A empresa responsável pelo sistema tem histórico de espionagem em diversos países. Seu representante já foi até preso na Polônia, nos EUA e no Canadá. Não se trata de mera brincadeira, é um caso gravíssimo. Com a repercussão negativa, o partido mentiu alegando que nem todos sabiam sobre a viagem. No entanto, a viagem para a China foi publicada no site oficial do partido. Sabendo disso não há qualquer dúvida de que existe tramoia neste caso.

Um dos deputados do PSL, Daniel Silveira, chegou a gravar um vídeo no qual trata o público como idiota dizendo que a China não é uma ditadura como a Venezuela, que a China é "light". Obviamente isso não é verdade. A China tem um dos sistemas ditatoriais mais eficientes que já se viu. 

Conclusão

Como foi dito no início, diante dos fatos não há o que se argumentar. A população foi enganada no maior golpe eleitoral da história. Elegeram-se pessoas que, no discurso, eram moralistas e patriotas, republicanos da melhor classe, gente que dizia querer moralizar o país, mas que na prática mentem e se misturam justamente com os comunistas a quem diziam combater. Não é por acaso que estejam apoiando Rodrigo Maia na Câmara, o mesmo Maia que também é apoiado pelo PCdoB.

Formadores de opinião de direita nem sabem mais o que fazer. Eles até têm feito críticas pontuais, mas tudo muito tímido, porque no fundo têm vergonha de também terem sido feitos de otário. A verdade é que os mesmos que acusavam todos os seus adversários, até mesmo os adversários de direita, de serem "socialistas enrustidos", no fundo querem o socialismo para o Brasil. 

É claro que se no atual governo estivesse João Amoedo, só o caso da viagem para a China seria motivo de escândalo no Terça Livre. Teorias conspiratórias não iriam faltar. Mas como foram eles que elegeram o atual Congresso e o atual governo, pega mal criticar demais. Para isso eles teriam que fazer um mea culpa, que é uma atitude digna. Eles não são tão dignos assim.

Bolsonaristas passaram muito tempo atacando liberais, conservadores e direitistas em geral que não aderissem cegamente à sua agenda. Todos eles eram tratados como inimigos ou inimigos em potencial. Quando algo acontecia, tudo era motivo para acusá-los de serem traidores, de estarem ajudando o PT, de serem "socialistas fabianos", etc. 

Agora eles deixaram de ser pedra e se tornaram vidraça. Eu vou jogar muitas pedras nesta vidraça.
Tecnologia do Blogger.