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Neoconservadores: A "direita" que quer destruir a direita

A despeito do que se possa dizer sobre a definição filosófica do termo, neoconservadorismo em política é um modelo de pensamento bastante distinto do que conhecemos por "conservador". O neoconservador pouco tem do conservadorismo.


O cerne do pensamento neocon, ao menos dentro do cenário político brasileiro, pode ser resumido em uma frase: "Todos são comunistas até que se prove o contrário." As teorias conspiratórias fazem parte do jogo, e o mentor intelectual desta seita de malucos não é, nem de longe, um maluco. Trata-se de um vigarista.

Olavo de Carvalho não é o mentor da direita, mas certamente é o parteiro dos neoconservadores brasileiros. Como qualquer neocon que se preze Olavo se diz conservador, mas suas atitudes em geral demonstram um caráter revolucionário. Por também se tratar de um mentiroso contumaz, toda a estrutura para mantê-lo firma depende exclusivamente de manipulação de narrativas.

O guru inventou, de próprio punho, que era o único a lutar sozinho contra a esquerda e que, por isso, devemos a ele gratidão e louvor. Seus seguidores acreditam completamente nesta narrativa, mesmo que ela não se sustente em fatos. Isso dá a ele uma aura especial, algo que leva seus cães de estimação a o tratarem não como homem, mas como divindade. É o culto da personalidade, afinal, a segunda característica mais forte do neoconservadorismo. Olavo soube explorar isso muito bem.

Os acontecimentos recentes envolvendo o guru e sua seita nos dão a certeza de que há, de fato, um jogo muito sujo em andamento. Olavo quer estimular um radicalismo doentio e auto-destrutivo, mas isso só porque ele está em posição absolutamente confortável. Vivendo fora do país, as consequências do desastre que ele promove não chegarão a atingi-lo. Ao menos não de forma negativa. Seus seguidores é que estão fazendo papel de otário.

É preciso compreender que os ataques de Olavo contra os generais são bem mais do que um mero chilique. No fundo isso é parte de uma tática de hostilização muito utilizada por ele, só que desta vez com uma ambição ainda maior: desestabilizar o governo para conseguir mais espaço. Sua relação com o Steve Bannon demonstra que há um plano em andamento, mas este plano não vai muito longe se os militares - hoje o núcleo mais forte do governo - estiverem no caminho. E cabe dizer que os militares não costumam gostar muito da interferência externa em seu país.


Isso é, em essência, o neoconservadorismo. Incendiário, truculento, belicoso e conspiracionista Trata-se de uma postura política que não se importa com fatos, com as consequências e menos ainda com a verdade. É, em suma, uma luta puramente ideológica por espaços no poder, de forma a conseguir praticar um modelo de engenharia social altamente eficiente, tal qual o que já foi aplicado diversas vezes pelos comunistas mais ou menos radicais. 

Os neoconservadores querem destruir a direita para que então possam ser eles próprios a única "direita" falante. Disputar espaço com militares, conservadores, liberais e outros grupos faz com que sua relevância seja questionável. É por isso que, em geral, os neocons dedicam esforço fora do comum para apedrejar as próprias fileiras. 


Note a postagem do Carteiro Reaça, Gil Diniz, ligado aos setores mais radicais do movimento neocon no Brasil. A crítica contra o MBL, ao menos neste caso, é infundada. Foi o MBL o grupo que mais repercutiu a exposição do MAM, e sei disso porque o texto que bombou na internet era de minha própria autoria, no Jornalivre, e foi compartilhado na página do movimento em questão de minutos. Por fazermos esta denúncia viramos um alvo constante das esquerdas, a propósito. O comentário, feito desta forma, dá a impressão de que o MBL teria de alguma forma ficado do lado da exposição ou no mínimo se omitido, e não foi o que aconteceu.


Aqui outro exemplo de um ataque gratuito aos liberais, contendo uma generalização. É como se os liberais em geral defendessem a sexualização de crianças, enquanto na realidade a maioria não defende. Seria tão injusto quanto afirmar, agora, que todo neoconservador seja necessariamente um terra planista só porque alguns realmente são.

Basicamente, o que se nota é que para não ser alvo de críticas deste setor específico, para não ser achincalhado ou chamado de comunista, o único caminho é prestar obediência intelectual absoluta, usar cabresto. Não importa que você seja um general que liderou missões e é reconhecido internacionalmente. Caso você não preste homenagens ao Olavo, então você é reduzido a um mero covarde ou comunista enrustido. Se você por acaso não acreditar que Olavo tenha sempre razão, então você também é comunista. Até mesmo se você questionar o passado islâmico e comunista de Olavo você também vira um comunista.

Um caso bem recente que demonstra o nível de insanidade é a questão venezuelana. Juan Guaidó disse em seu Twitter que seu partido é socialista, e isso é verdade. Diante desta revelação, olavettes começaram a atacá-lo com maior vigor do que o que se vê nos ataques contra o ditador Nicolás Maduro. Acontece que a Venezuela vive uma ditadura, seus cidadãos passam fome, não têm acesso a remédios e utensílios básicos. A situação dos venezuelanos é tão dramática que eles fogem para o Brasil, um país de terceiro mundo com dezenas de milhares de homicídios por ano. Se Juan Guaidó for a única opção temporária para livrar o povo de Maduro, que seja. Depois, quando o problema imediato for resolvido, aí teremos tempo e talvez até liberdade para discutir a ideologia do governante. Até lá isso pouco importa.

Está na hora de a direita acordar para o risco de os neocons se tornarem maioria. Eles jogam sujo e estão dispostos a tudo pelo poder e pelo controle social. São perigosos, precisam ser combatidos, e mais do que isso eles precisam ser expostos. Quanto tempo vai levar até que o próprio Jair Bolsonaro seja jogado na fogueira da inquisição neocon?
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