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Imprensa brasileira publica fake news sobre morte de comentarista americana

A comentarista e escritora americana Bre Payton, que morreu recentemente em virtude de uma doença, foi também vítima da má qualidade e da total falta de escrúpulos do jornalismo brasileiro.


Diversos jornais renomados, incluindo Exame e UOL, publicaram no Brasil a notícia de que Bre Payton teria morrido em virtude de uma contaminação por gripe suína. Em todas as manchetes, porém, também foi veiculado que Payton seria uma militante do movimento antivacinas. 

Para quem não sabe, nos EUA é bem presente e ativo o movimento que é contra a vacinação. As alegações são variadas, mas dentre elas o principal motivo seria a desconfiança de que as vacinas causam doenças ou debilidades, tais como autismo. Não entrarei aqui no mérito da questão, este não é um blog sobre medicina. A questão realmente importante neste caso é que Bre Payton não era, ao menos que se saiba, uma militante deste movimento.

As matérias divulgaram esta informação em suas manchetes, todas elas baseadas em um único Tweet que Payton fez em 2011, mas que é claramente um comentário sarcástico. Veja:
Na época deste tweet Bre Payton tinha apenas 19 anos. Desde então, não há qualquer registro dela sobre o assunto. Mesmo trabalhando em uma emissora de TV conhecida, ela nunca usou o espaço para falar contra a vacinação. Também não há qualquer evidência de que Payton frequentasse grupos do gênero. As notícias, todas elas, foram baseadas neste único tweet que é de quase oito anos atrás, mesmo ele sendo evidentemente uma brincadeira feita por uma jovem até então pouco conhecida.

Dá para entender a razão da imprensa em noticiar o tema desta forma enviesada. Os movimentos antivacina, principalmente nos EUA, são compostos em sua maioria por malucos e teóricos conspiracionistas de uma ala mais neoconservadora do Partido Republicano. A ideia de que uma ativista do tipo tivesse morrido em virtude de falta de vacina soa como música para os abutres.

Mais do que uma notícia falsa, é uma notícia que mancha a imagem de uma pessoa que morreu e que nem pode mais se defender. Até o momento em que escrevo este artigo, quase nenhum dos jornais que publicaram a mentira sobre Payton reconheceram o erro. Talvez seja porque não foi um erro.

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