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A farsa do decreto e como a imprensa ajuda Bolsonaro

A imprensa entrou em colapso nos últimos dias em relação ao decreto sobre as armas. O governo publicou o decreto hoje e, como já era óbvio, nada de muito relevante vai mudar ao menos temporariamente. Mas os jornalistas brasileiros, que vivem em algum tipo de bolha, se desesperam com o tema a tal ponto que estão ajudando Bolsonaro a promover uma fraude.


A verdade sobre o tal decreto é simples: ele não retira absolutamente nenhuma das restrições previstas no Estatuto do Desarmamento. Ou seja, ele não amplia o acesso às armas de nenhuma forma. Apenas duas coisas mudaram. Uma delas é que antes o limite de armas por pessoa era de seis, agora passou para quatro (?). A outra é que a comprovação efetiva de necessidade passa a ser validada a partir dos dados da violência. Se você mora em um estado com 10 homicídios ou mais para cada 100 mil habitantes, este critério passa como cumprido.

Apoiadores do governo, e isso inclui Bene Barbosa e até Olavo de Carvalho, criticaram o decreto. E eles não foram os únicos. O motivo é justamente este: nada realmente mudou. As restrições continuam as mesmas. Mas o governo vendeu uma proposta muito mais ampla.

Quando o decreto foi anunciado, o governo disse que corrigiria uma injustiça e que o referendo de 2005 seria respeitado. Por isso esperava-se muito mais do que o que foi apresentado. A medida que veio ao público hoje é praticamente irrelevante diante do problema. Por isso tantas críticas.

O caso é que frente a isso tudo, a imprensa mais uma vez fracassa em fazer seu trabalho. Qualquer jornalista medíocre seria capaz de comparar o discurso com a prática do novo governo e criar questionamentos relevantes, tais como o fato de ele ter deliberadamente mentido para a população em seu discurso de posse. Também seria muito útil que fizessem matérias com os apoiadores do governo criticando a medida, mostrando que ele não acertou nem mesmo entre os próprios aliados.

O objetivo da imprensa não é claramente enfraquecer Bolsonaro? Então, aqui estou ensinando como fazer isso: digam a verdade! 

Entretanto, por razões estranhas e até suspeitas, a imprensa fez exatamente o que o governo quer. Os jornalistas estão agindo como malucos, como crianças eufóricas, falando que a violência vai aumentar e bobagens do gênero. Ao mesmo tempo eles fazem inúmeras matérias com "especialistas" em desarmamento que criticam a medida não pela fraude que foi, mas como se ela tivesse sido feita para mudar alguma coisa de fato.

A imprensa tem ajudado Bolsonaro há muito tempo. Desde antes das eleições estes jornalistas vêm fazendo um trabalho medíocre que expõe de Bolsonaro apenas as características que agradam seu público, mas que não aponta os seus verdadeiros defeitos e suas grandes falhas. Um governante mentir para seu povo no discurso de posse é muito mais relevante do que ele cumprir uma promessa de campanha, o que não seria mais do que sua obrigação. Os jornalistas não entendem que ao criticarem o projeto desta forma eles o estão validando. Para o público tudo o que parece é que Bolsonaro falou e fez, quando a verdade é que ele falou e não fez.

Será que é muito pedir para a imprensa fazer seu trabalho direito e parar de agir feito uma criança do ensino primário? Será que é loucura suspeitar que essas coisas estejam sendo feitas intencionalmente para de fato beneficiar Bolsonaro perante o público? É impossível acreditar que tantos jornalistas experientes não consigam enxergar esta simples realidade.

Para o público que elegeu Bolsonaro não importa o chilique do ativista contra as armas, o que importa é saber que o presidente mentiu para ele sobre o assunto.
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