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Os censores galopam e a direita trota

O Facebook novamente caiu matando. Pelo menos dez grandes páginas de direita foram deletadas da rede social neste fim de semana, dentre elas até o perfil do deputado Paulo Eduardo Martins e a República de Curitiba. Não é a primeira vez e nem será a última, e mesmo assim a direita não aprende.


Antes do período eleitoral o mesmo aconteceu, mas naquele caso com centenas de páginas e perfis, incluindo todo e qualquer acesso deste que vos escreve. O que ocorreu na ocasião foi até mais grave, já que a censura se estendeu a amigos e parentes. Um grande amigo meu teve sua página derrubada sem qualquer justificativa, pois tratava-se de sua empresa, um estúdio de tatuagem, e ele jamais fazia publicações sobre política.

O Jornalivre foi derrubado nesta mesma época, e sabe o que é pior? Havia gente de direita comemorando ou simplesmente não se importando com o fato. A censura não foi levada muito a sério, e de quebra a estratégia para lidar com ela foi muito pouco eficaz, pois se resumia a denunciar a censura do Facebook dentro do próprio Facebook. Era lógico que não daria em nada, e eu mesmo cheguei a dizer isso para as pessoas envolvidas. De que adiantou?

A direita é extremamente desorganizada, mas seu ponto mais fraco está na composição. Ela é composta por pessoas absolutamente incapazes de raciocínio lógico. Os núcleos da direita, compostos por sujeitos que se preocupam bem mais com suas rixas bestas do que com os resultados atingidos, possuem uma postura infantil diante do mundo. Eles ainda pensam em termos ideológicos, discursos e posicionamento político como se a base de tudo isso não estivesse necessariamente ligada ao único fato que realmente importa: vencer ou perder a guerra política.

Quando neoconservadores acharam legal a exclusão do Jornalivre, eles pensaram assim porque não gostavam de ver críticas ao seu ídolo em um site de direita. Da mesma forma, quando libertários pensaram não existir problema algum na exclusão de páginas conservadoras, foi porque os conservadores não aderiram aos princípios puros do libertarianismo e faziam críticas ao modelo ideológico deles. Mas a verdade é uma só: os censores não fazem distinção alguma.

Para os censores, que são todos de extrema-esquerda, não existe qualquer diferença entre libertários e conservadores, assim como não há distinção entre aqueles que apoiam Bolsonaro ou os que apoiam João Dória. Aliás, eles nem mesmo distinguem direita, extrema-direita ou centro direita. A única coisa que os censores enxergam é "nós versus eles". O modelo é bastante simples de ser compreendido. Ou você é um deles ou você não é. Para entender esse raciocínio basta pensar em termos práticos, e para isso um exemplo recente que pode ser usado é o da cantora Anitta. 

Durante o período eleitoral a extrema-esquerda criou o movimento #EleNão, em protesto a Jair Bolsonaro, e também - principalmente - em apoio a Fernando Haddad. Certo dia alguém descobriu que a cantora Anitta seguia, em seu Twitter, uma terceira pessoa que por acaso era apoiadora de Jair Bolsonaro. Nisso começaram a cobrar dela uma postura. A cobrança se deu por meio de pressão moral, uma vez que boa parte do público de Anitta é composto de pessoas "ligadas" ao movimento LGBT. 

O que aconteceu foi bem simbólico. Eles pressionaram a cantora até ela escolher seu lado. É claro que nestas condições fazia muito mais sentido, dentro do cálculo social de Anitta, escolher o lado deles. Para resolver o problema ela gravou um vídeo cedendo a esta pressão e apoiando o movimento #EleNão. Mas o que teria ocorrido se Anitta não tivesse cedido? Ou, ainda, o que aconteceria se ela tivesse tomado uma postura contrária e declarado apoio a Jair Bolsonaro? Viria mais pressão, boicote, xingamentos, ameaças e todo tipo de problemas que em geral um artista não quer ter. Não seria compensatório para Anitta perder contratos e, é claro, perder dinheiro. 

Neste caso a linha de raciocínio "nós versus eles" foi aplicada com louvor. Eles não deixaram Anitta em paz enquanto ela não escolheu seu lado. É exatamente assim que ocorre com a censura. E embora esta forma de censura seja relativamente nova, o princípio é velho e bem conhecido.

Não faz tanto tempo assim que ser de direita era considerado inaceitável em nossa sociedade. Sei disso porque eu já era de direita nesta época, uma época na qual as opiniões de viés conservador ou liberal eram tratadas com o mais profundo desrespeito possível. 

Há dez anos, por exemplo, era praticamente impossível um universitário se declarar abertamente conservador ou liberal. Se ele o fizesse a situação seria óbvia: isolamento social. Ele nunca seria tratado como ser humano, não participaria das festas, não teria voz. Eu e muitos que estavam envolvidos desde aquela época rompemos esta barreira. Nem tenho ideia de quantos amigos perdi por me declarar abertamente liberal. A mesma coisa ocorreu com os conservadores. E mesmo assim, em nome da liberdade de expressão, nós corremos o risco.

As coisas começaram a melhorar há mais ou menos cinco anos, quando movimentos de direita surgiram (alguns ainda naquelas manifestações de 2013) e passaram a atuar na política de forma mais ativa. Tudo isso só foi possível porque lá atrás havia gente, como eu, batendo em verdadeiras hordas esquerdistas que dominavam o debate político no país inteiro. É claro que os novatos, aqueles que descobriram que política existia apenas em 2013, não fazem ideia de como as coisas eram antes. Esta falta de compreensão do tempo e do espaço criou garotos mimados encastelados em suas páginas na internet.

O que se entende por "direita" no Brasil, hoje, ainda é um embrião. Mas não dá para esperar maturidade de um embrião. Os neoconservadores que comemoraram a queda do Jornalivre são os mesmos que agora sofrem com a derrubada de suas páginas. Da mesma forma, aqueles libertários bobinhos que não viram nenhum problema quando seguidores do Bolsonaro foram censurados, depois também sofreram as consequências quando suas vozes foram caladas. 

A verdade é que não existe mesmo a distinção entre subcategorias ideológicas. O que existe, no mundo real, é a distinção entre aqueles que lutam por liberdade e aqueles que lutam pela tirania. Esta é a verdadeira guerra. Um dia eles vão entender ou simplesmente não vão. Se não forem capazes de entender isso, jamais entenderão alguma coisa.

Estaria mentindo se dissesse que não gosto de usar o jargão "eu avisei". Eu gosto. Neste caso, aliás, tive grande satisfação. Existem times que jogam para ganhar e existem os outros times. Para os outros a única vitória é comemorar a derrota alheia.
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