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O que podemos esperar do próximo governo?

Muitos daqueles que elegeram Bolsonaro e toda sua tropa de deputados dos mais diversos, diria até que quase a totalidade destes eleitores, certamente esperam demais do próximo governo. Como em toda disputa política, estas eleições foram definidas com base no sentimento de medo ou no de esperança. 


De um lado aqueles que votaram em Bolsonaro tinham, basicamente, a esperança de um futuro melhor ou o medo de que o passado petista retornasse. Do outro lado não era muito diferente. Alguns dos que votaram em Haddad no segundo turno também não o fizeram por ideologia, mas por temor ao que se poderia esperar de um eventual governo Bolsonaro. 

Conforme escrevi ainda em setembro, portanto antes do primeiro turno, Bolsonaro não é mito e nem monstro, ele é apenas político. A campanha do presidente eleito foi certeira em alguns pontos, dentre eles a clara antagonização ao petismo. Os demais candidatos não pareceram entender essa tática, por isso resolveram antagonizar com Bolsonaro, fazendo aquilo que ele queria que fosse feito. O sentimento popular era sabidamente anti petista e isso já tinha ficado claro desde as eleições de 2016.

No entanto, entre o que as pessoas esperam de Bolsonaro e aquilo que elas deveriam esperar dele há um abismo. O presidente eleito fez inúmeras promessas e todas elas são difíceis de se cumprir. Uma de suas pautas mais fortes, a da segurança pública, é bastante complexa. É até improvável que tantos problemas possam ser solucionados em apenas um mandato. Note-se que aqui nem estou tratando de intenções. Mesmo que Bolsonaro tenha sido honesto e queira de fato resolver o problema, trata-se de algo que está fora de seu controle.

Tenha em mente que para resolver a situação de insegurança que nos assola é preciso mais do que vontade. Há uma clara necessidade de se alterar o código penal, bem como o código de processo penal, assim como também é necessário mudar a estrutura dos presídios brasileiros e talvez até a maneira pela qual eles são administrados. Existe ainda a questão do desarmamento, que é importante, mas que dependerá igualmente da aprovação do Congresso para poder valer. Qualquer decreto que o presidente assine é um paliativo temporário e uma jogada política sem efeitos práticos duradouros.

Também não se pode ignorar que há corrupção nas polícias. Isso não se resolve apenas com medidas comuns como aumento de salários, afinal de contas o agente da lei que se corrompe nem sempre o faz só por necessidade financeira. É, muitas vezes, uma questão de cultura e de caráter, em outros casos até de sobrevivência. 

A verdade é que Bolsonaro tem um pepino em suas mãos. Uma economia que respira por aparelhos também não é algo que se resolve a partir de canetadas, e seu suposto guru, o Paulo Guedes, não tem em seu currículo nenhuma evidência de capacidade para lidar com isso. Ele pode ser bom, mas também pode não ser. E se não for, como as coisas ficam? Como presidente Bolsonaro precisa imaginar vários cenários e deve estar preparado para tudo. Se ele precisar substituir ministros, será que já existe alguém em mente, um plano B?

Muito do bolsonarismo é gogó. Discursos, muita promessa e até uma certa tara no meio disso tudo. A esperança das pessoas só se mantém enquanto é suprida, e é por isso que a decepção está sempre rondando. Como é sabido que a população espera muito de Bolsonaro, e esta mesma população também é ignorante sobre o verdadeiro funcionamento da política, ele não só tem a obrigação de fazer as coisas que disse, mas também de fazê-las rapidamente.

Sendo bastante realista, porém, posso afirmar que minhas expectativas são neutras. Não acredito que Bolsonaro fará um mau governo, assim como também não espero nada além da média. O caso é que até a média já é muito mais do que tivemos nos últimos anos. 

É preciso entender, de forma madura, que o presidente eleito está cercado de oportunistas e puxa sacos. Boa parte de sua bancada no Congresso é inexperiente, mas com o ego inflado e a arrogância muito acima dos limites. Antes mesmo de o mandato começar integrantes do partido já se envolveram em bate-boca em grupo de Whatsapp. Administrar essas picuinhas dá trabalho e demanda um incrível poder de observação, especialmente porque onde há oportunistas sempre há os potenciais traidores. Aqueles que surfaram na onda Bolsonaro para apenas para se eleger, vide o caso de Joice Hasselmann, nunca serão confiáveis.

Outro detalhe importante é que o presidente eleito já se aproximou do MDB, de Michel Temer e do DEM (este último antes de ser eleito). Onyx Lorenzoni é comprovadamente corrupto, foi pego em um esquema de caixa dois e é contraventor confesso deste ato. Seria ele confiável para cuidar da Casa Civil? 

Quanto aos ministros da Educação e das Relações Exteriores, é bastante provável que ambos caiam bem antes do fim do mandato. No caso do chanceler pelo fato de que sua escolha foi apadrinhada por Olavo de Carvalho, não por critérios técnicos como prometeu o presidente enquanto ainda era candidato. Já o ministro da educação é um caso diferente. Trata-se de alguém que trará polêmicas para o centro do debate e que será combatido com vigor pelos adversários. A pressão, neste caso, tende a levar o caos para o Planalto. 

Pode ser também que eu esteja exagerando nesta análise. Mas os pontos aqui expostos são tratados como possibilidades a serem consideradas, não com fatos previstos. Sempre que se observa a realidade é necessário imaginar diversos cenários e, de preferência, estar preparado para o pior. Se o presidente estiver preparado para tudo isso talvez ele consiga resolver os problemas com facilidade. Se não estiver, aí a história é completamente outra.
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