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Gabinete de Flávio Bolsonaro funcionava como o de qualquer fulano da velha política

Não chega a ser uma surpresa para quem tem miolos, mas os fatos recentes vêm indicando que o gabinete de Flávio Bolsonaro, deputado estadual e futuro senador, funcionava exatamente como o gabinete de qualquer político. 



Em matéria do jornal O Globo, publicada ontem, evidências apontam que além do já falado caso do ex-assessor Fabrício, havia também outro assessor com atividades no mínimo questionáveis. É o caso do tenente-coronel da PMRJ Wellington Servulo. Cito a matéria:

Outro ex-assessor parlamentar do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), o tenente-coronel da Polícia Militar do Rio Wellington Servulo Romano da Silva, de 48 anos, também é suspeito de irregularidades. Ele passou 248 dias fora do Brasil durante o período de um ano e quatro meses em que trabalhou para o filho do presidente eleito e, ainda assim, recebeu os salários e as gratificações. De acordo com a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Servulo Romano da Silva não tirou licença no período em que trabalhou na Casa. As informações foram reveladas nesta quarta-feira em reportagem do Jornal Nacional.
E mais:

As viagens do ex-assessor eram para Portugal. De acordo com a reportagem, em 24 de abril de 2015, Servulo deixou o país e ficou no exterior 44 dias. Nesse período, recebeu o salário de R$ 5,4 mil como funcionário da vice-liderança do PP, partido de Flávio à época. No mesmo ano, viajou outras quatro vezes para Portugal. Em 2015, totalizou 119 dias fora do Brasil. A última viagem daquele ano foi em 16 de dezembro e a volta aconteceu em 31 de janeiro de 2016. [...] o ex-assessor fez outra viagem entre 9 de março e 8 de abril de 2016. Em 1º de abril, enquanto estava fora do país, Servulo foi dispensado do cargo na vice-liderança do PP. Em abril e maio, ele não aparece na folha de pagamento da Alerj. Em 18 de maio de 2016, o ex-assessor foi nomeado para trabalhar no gabinete de Flávio, mas dois dias depois embarcou de novo para Portugal, com destino a Lisboa.

Isso por si só já é irregular, para não dizer até que é imoral e criminoso. Um funcionário do gabinete receber salário pago com dinheiro público para passear em Portugal é um assunto muito grave, mas infelizmente é bem comum. Trata-se de uma velha prática da política brasileira. Os candidatos se elegem e colocam amigos e parentes para ganharem uma grana fácil e sem trabalhar. Comum, sim, e muito. Mas ainda assim uma atuação moral e legalmente questionável.

Para que fique bem claro é bom lembrar que o cargo de Flávio atualmente é o de deputado estadual pelo Rio, ou seja, não há qualquer possível explicação para que um funcionário de seu gabinete estivesse sendo pago para viajar a Lisboa. Certamente não eram viagens relacionadas ao seu cargo, ainda mais nessa quantidade. Mas este fato corrobora algo que venho dizendo há anos: não há santinhos na política. Flávio é como qualquer outro, é humano, é político e é malandro.

Como isso pode afetar a imagem do futuro governo? De várias maneiras. Uma delas é justamente a questão moral. Ninguém irá acreditar - mesmo se for verdade - que o pai não tem responsabilidade pelos atos do filho. Se querem minha opinião, aliás, não acho que Jair tenha culpa até que se prove o contrário, e neste caso específico creio que não lhe caberia estar ciente de tudo. No entanto, não é assim que muitos vão pensar, e eles também estarão certos.

Jair Bolsonaro se elegeu com base em dois pilares: o da segurança pública e o do combate à corrupção. Seus discursos, sua imagem, toda a semiótica de sua campanha foram embasadas no princípio de que ele, o próprio, era o único político honesto e correto do país. Nem mesmo o partido Novo escapou ileso, sendo atacado injustamente por diversos de seus apoiadores. Assim sendo, é bem natural que a cobrança sobre ele leve todo esse cenário em consideração.

Se Bolsonaro é o pai de família exemplar que dá puxão de orelha nos filhos, se ele é o capitão imaculado que jamais cometeu qualquer deslize, se ele é o único político honesto no país, então ele não pode ser o homem que sequer conhece o próprio filho e que não sabe o que acontece na própria casa. Se não colou com Lula - que "não sabia de nada" -, irá colar ainda menos com ele.

Apenas para que fique bem fácil de entender, este caso é diferente do outro. No caso de Fabrício, sobre as movimentações financeiras, cabe investigação para apurar se houve ou não um crime. Neste caso, porém, não há o que discutir. Servulo comprovadamente recebeu dinheiro do gabinete sem ter trabalhado de fato. O ex-assessor passou a maior parte de seus dias como funcionário da ALERJ sem estar presente. Ele de fato viajou para Portugal. 

É preto no branco.
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