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Decisão de Marco Aurélio para soltar Lula veio para reforçar narrativa de esquerda

Passadas as eleições, fim do ano se aproximando e com ele também os recessos no Congresso e no judiciário. Com este cenário, então, o ministro Marco Aurélio Mello percebeu que poderia botar as manguinhas de fora. 

Em decisão totalmente unilateral, Aurélio mandou soltar todos os presos condenados em segunda instância. É claro para qualquer um o real motivo: a soltura de Lula. No entanto ele não poderia se expor ao ponto de exigir a soltura de apenas um condenado, e para resolver um problema de narrativa jurídica o ministro está disposto a liberar de novo para as ruas até mesmo estupradores e assassinos, desde que Lula também seja liberto.


Não há incoerência nesta decisão. O ministro foi um dos maiores propagandistas do Supremo a se posicionar contra a decisão do colegiado. Sua atitude, além de ser um desrespeito grave ao poder judiciário, já que o tema foi longamente debatido pela corte, é também um esforço muito além de suas competências jurídicas. Trata-se de uma tática para ajudar a esquerda a reforçar uma narrativa política que foi amplamente difundida.

A ideia de que Lula só foi preso para não poder disputar as eleições foi plantada há muito tempo, inclusive antes de sua prisão. O PCdoB, principal lacaio dos petistas, trabalhou arduamente para que essa versão fosse levada ao público. A defesa de Lula, por sua vez, trabalhou no âmbito jurídico levando esta mesma narrativa. A noção de que Lula venceria as eleições se fosse candidato teve respaldo em pesquisas de intenção de voto, todas feitas pelos mesmos institutos que davam como certa a vitória de Anastasia em Minas.

Há, porém, um detalhe importante que não poderia escapar. Para que esta narrativa tivesse algum efeito, era preciso que após as eleições Lula fosse solto. Afinal de contas, se o objetivo de prendê-lo era tão somente tirá-lo dos palanques, por que mantê-lo preso mesmo assim depois do pleito? 

Com a vitória de Bolsonaro ficou claro que seria difícil fazer estas manobras no futuro, então a hora de realizá-las é agora, durante a transição, quando todos estão focados em outras questões. Não por acaso o pedido para a decisão de Aurélio partiu justamente dos advogados do PCdoB, e poucos minutos depois já havia, na mesa do ministro, um pedido formal da defesa do ex-presidente petista para soltá-lo.

É difícil saber se essa decisão irá vingar. Assim como Marco Aurélio a tomou por conta própria, outros ministros podem intervir. A questão é se eles vão intervir ou não, e caso não o façam o que vier pela frente será, muito provavelmente, um clima de tensão social extrema. 

Como venho dizendo há bastante tempo, a extrema-esquerda é bem diferente da direita em alguns aspectos, e um destes aspectos é o de reconstrução. Eles perderam as eleições, mas ainda têm poder. Eles sabem que para que seu poder tenha solidez é necessário reestruturar as bases, fazendo com que suas narrativas ganhem corpo. Caso Lula seja mesmo solto, ele voltará rapidamente para os palanques e fará oposição forte ao próximo governo, e ele certamente dirá que o presidente eleito só está no Planalto porque ele próprio foi impedido de concorrer.

É evidente que existe muito otimismo diante da vitória de Bolsonaro. Não tanto por ele, mas muito pelo fato de que os petistas perderam. Mas é preciso ter maturidade para não confundir as coisas. O que Bolsonaro ganhou foi uma dor de cabeça tremenda para a qual nenhum remédio fará efeito. A extrema-esquerda, que é radical por essência, não vai largar o osso. Eles vão bater no próximo governo, e vão com força. Como ainda possuem influência no Congresso, farão o que for possível para travar tudo o que puder ser feito, assim como fizeram com Michel Temer.

Além disso, é importante lembrar, o presidente eleito sofreu um atentado gravíssimo ainda durante o primeiro turno da campanha. Ameaças contra ele se multiplicam dia após dia. Se ele corre risco verdadeiro ou não é difícil saber, mas as ameaças por si só aumentam ainda mais a tensão, fazendo com que erros aconteçam. Como a base de Jair Bolsonaro também é composta de radicais, não é de se duvidar que tudo isso ainda termine em sangue - o que, aliás, também aconteceria se o PT tivesse vencido as eleições.

Os próximos dias poderão ser bem decisivos.
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