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Os erros do partido NOVO

Talvez soe estranho falar em erros de um partido que elegeu um governador e oito cadeiras no Congresso em sua primeira eleição nacional. Não quero parecer chato ou mesmo ser o tipo de pessoa que fica agorando os outros. No entanto há questões importantes a serem levantadas e, creio eu, se você for eleitor do NOVO terá muito do que gostar neste artigo.


Em 2014, quando o NOVO ainda nem era um partido oficializado, cheguei bem perto de trabalhar com a formulação dele aqui em Santa Catarina. O que me afastou, no entanto, foi a burocracia. Para um partido que prega a descentralização de poder e que tanto critica a lentidão do Estado brasileiro, achei tudo absolutamente engessado nas mãos de sua cúpula nacional. Neste ponto eu estava certo, e o resultado desta eleição comprova o que sempre digo: liberais não sabem fazer política.

O NOVO conseguiu eleger oito cadeiras no Congresso e um governador no segundo maior estado do país. Mais que isso, Romeu Zema derrubou macacos velhos da política como Anastasia e Pimentel, além de ter sido eleito com mais de 70% dos votos. Se olharmos este dado isolado pode parecer que o NOVO fez uma boa campanha, mas não foi o caso. É preciso olhar os dados em sua magnitude.

Nesta eleição muitas caras novas foram colocadas no Congresso. PSL elegeu a segunda maior bancada, além de três governadores. MBL conseguiu fazer Arthur do Val e Kim Kataguiri com votações bem expressivas. Janaína Paschoal, que nunca teve carreira política, foi a deputada estadual mais votada na história deste país. Além disso, muitos caciques da política nacional se deram mal. Marconi Perillo e Romero Jucá perderam. Alckmin ficou apenas com o quarto lugar. Marina Silva nem chegou perto de vencer desta vez. 

Tudo isso é na realidade um dado só, e este dado não tem nada a ver com o trabalho dos partidos, mas com os anseios da população que está saturada da política tradicional e que finalmente resolveu expressar isso nas urnas. Sendo assim já começa a ficar claro o que quero dizer ao tratar aqui dos erros do NOVO.

Um erro do NOVO nesta eleição foi o de ter lançado poucos candidatos. Em Santa Catarina, onde o partido elegeu um deputado federal, não havia mais opções. O partido só lançou candidatos para este cargo. O mesmo ocorreu em diversos estados. O NOVO não elegeu senadores porque não os lançou candidatos, enquanto o Senado em 2019 terá 24 caras novas. O NOVO não elegeu mais governadores porque não os lançou candidatos. 

Além disso, algo muito importante precisa ser frisado. Romeu Zema, até então um ilustre desconhecido, fez mais votos em Minas do que João Amoedo fez em todo o país sendo o rosto mais famoso do partido. Ainda no primeiro turno a diferença foi gritante. Enquanto Amoedo conseguiu pouco mais de 2,6 milhões de votos, Zema ultrapassou os 4 milhões, e venceu no segundo turno com quase 7 milhões. Vendo isso há de se questionar se Zema não era um melhor candidato do que o próprio Amoedo, para começar. 

O PSL elegeu muitas cadeiras no Congresso pelo simples fato de ter lançado muitos candidatos. Elegeu três governadores pelo mero fato de ter lançado candidatos em todos os estados. Chegou perto de eleger muitos senadores porque também lançou muitos candidatos em diversos estados.

Não estou dizendo, é claro, que o NOVO poderia ter sido tão expressivo como o PSL. O PSL surfou na onda Bolsonaro de forma muito mais óbvia. Mas o NOVO poderia ter se saído muito maior desta eleição se não tivesse ficado tímido. Em Santa Catarina o candidato Lucas Esmeraldino, que ninguém conhece, chegou realmente perto de levar a segunda vaga no Senado. O NOVO, porém, não lançou candidato algum ao Senado por aqui.

Mas a maior de todas as falhas do NOVO é sua forma de fazer campanha política. O partido tem um bom programa, para se dar melhor bastaria fazer com que seu programa chegasse mais perto do público. Isso ainda não aconteceu. O NOVO ainda não dialoga com o povo, ainda não chega nas massas. Se o partido tivesse trabalhado melhor nesse sentido poderia ter conquistado um terreno maior.

De toda forma é possível que nas eleições municipais de 2020 o NOVO venha com mais força. Agora com deputados federais e um governador o partido talvez consiga se organizar melhor e atuar de maneira brilhante. Claro que isso vai depender do não engessamento da cúpula nacional.
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