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A vitória de Bolsonaro e os próximos passos

Quem acompanha este blog sabe perfeitamente que sempre critiquei Jair Bolsonaro. Mais do que isso, até aproximadamente três meses atrás acreditei que sua vitória seria improvável, ainda que possível. Mas o fato é que ele venceu, e como analista político relativamente conhecido tenho recebido questionamentos e até mesmo críticas por ter "errado" nesta análise. Cabe uma explicação.


Muitos blogs ligados a Bolsonaro vinham apostando em sua vitória desde os últimos anos. Muitos amigos meus acreditavam cegamente que ele venceria em primeiro turno. Muitos colegas e conhecidos, assim como diversos analistas políticos da direita, apoiaram sua candidatura de forma plena desde o princípio, enquanto outros esperaram para medir a febre e surfar na onda em troca de likes. Eu, no entanto, escolhi o caminho difícil: o ceticismo.

Ser cético é colocar tudo em dúvida até que se prove ou não sua veracidade (ou sua falsidade). O fato de eu ter diversas críticas a Bolsonaro é irrelevante para a análise, e quero que isso fique bem claro. Quando disse em diversos momentos que ele não venceria, ou que seria difícil vencer, havia método. Sempre fiz análise avaliando o presente e o passado e elaborando cálculos ou projeções com base nas informações que se tem. Muitos de meus colegas analistas ou meramente entusiastas não fizeram análise alguma, foi apenas torcida. E, cá entre nós, torcer por algo não é o mesmo que saber, influenciar e muitos menos analisar. Torcida é apenas torcida, e assim como os fãs de Bolsonaro se deram bem eles também poderiam ter se dado mal.

Quero esclarecer ao leitor algo que ele poderá provar para si mesmo se olhar os fatos. E este esclarecimento serve ao propósito de mostrar como foi que na realidade eu não errei. Sim, é isso mesmo. Não errei em minhas análises, pois elas estavam corretamente embasadas. É óbvio que isso pode parecer estranho para quem tem em mente que uma análise política é algo como uma previsão, mas guarde-se isso para astrólogos e médiuns, já que este não é meu caso. 

A verdade é que até o dia 7 de outubro deste ano ninguém realmente sabia que Bolsonaro iria vencer. Até a conclusão do primeiro turno das eleições nem mesmo o PSL sabia que iria levar o pleito. Sim, digo isso com muita clareza, pois está embasado em fatos. O partido de Jair Bolsonaro não tinha nem de longe a pretensão de eleger tantas cadeiras no Congresso. Fora alguns nomes óbvios como Flávio e Eduardo Bolsonaro, os demais eram em sua maioria figuras de pouquíssima expressão. O PSL também não almejava eleger três governadores, nem mesmo os imaginava em um segundo turno. O improvável aconteceu. 

Em Santa Catarina absolutamente todos - repito: todos mesmo - levaram Mauro Mariani como favorito até o fim. A possibilidade de que ele não estivesse nem mesmo no segundo turno era quase nula. Foi o que ocorreu no Rio de Janeiro com Wilson Witzel, do PSC, que até poucos meses atrás ninguém sabia quem era. Foi o que ocorreu com Romeu Zema, do NOVO, que se elegeu em Minas com mais de dois terços dos votos enfrentando justamente PT e PSDB no estado mais polarizados do país. Ninguém realmente achava que qualquer um destes ilustres desconhecidos se tornaria governador, muito menos com uma votação tão inequívoca. 

As votações expressivas de partidos como PSL e NOVO foram uma surpresa não só para os analistas, mas para o próprio público. Se você falou com eleitores do NOVO antes do primeiro turno é quase certo que tenha ouvido comentários totalmente desesperançosos, assim como também não havia qualquer esperança nos eleitores do PSL. Com exceção da eleição para presidente, a expectativa geral era a de que tudo se repetiria mais ou menos como sempre foi, com um Congresso cheio de caras conhecidas e malditas, com Dilma senadora e o mesmo Romero Jucá de trinta anos atrás articulando no Congresso. Mas o improvável realmente aconteceu.

Em outro artigo pretendo abordar detalhadamente a campanha, como ela foi feita e o que levou ao resultado final. Por ora quero apenas expressar minhas percepções superficiais, além de demonstrar aos meus leitores aquilo em que realmente acredito. Fato é que Bolsonaro venceu e sua vitória pode significar muitas coisas. Fiz oposição a ele por um longo tempo e continuarei a fazer se for necessário, mas espero que não seja.

A despeito de minhas críticas ao presidente eleito, de uma coisa eu sei: ele é o nosso futuro presidente e elegeu uma enorme bancada. Isso significa que a população realmente acreditou em seus discursos, em sua história e acima de tudo em suas intenções. De agora em diante ele terá a missão de fazer valer sua palavra, terá a missão de retribuir a confiança que conquistou, mas acima de tudo terá que governar um país diferente daquele que o elegeu. 

O Brasil mudou nesta eleição. Resta saber se esta mudança será duradoura, se ela será tão positiva quanto se pensa e se ela terá valido a pena. O PT não nos governa mais. No entanto é preciso saber de algo importante sobre a esquerda: ela se reorganiza. Hoje ela está desmoralizada, enfraquecida, mas amanhã não se sabe. Um dos principais riscos que sempre vi em um possível governo Bolsonaro é justamente esse, o fortalecimento das esquerdas radicais e o seu retorno muito em breve.

Aqueles que elegeram Bolsonaro por mera convicção em suas palavras não serão capazes de evitar que algum desastre aconteça. O novo presidente já está cercado de puxa-sacos há muito tempo e há ainda aqueles que entraram nesse barco apenas para se dar bem, para lucrar com isso. É preciso ser atento aos detalhes. 

Bolsonaro precisará de duas coisas para fazer um bom governo. Uma delas é ter ao seu lado gente competente, e para isso ele terá que lidar justamente com os aproveitadores e bajuladores que estão ali querendo ganhar holofotes. A outra é cautela. O presidente eleito sofreu um atentado em plena luz do dia, em um local repleto de gente, e isso tudo enquanto a campanha estava apenas no começo. 

Como presidente é de se imaginar que sua segurança esteja ainda mais em risco. Bolsonaro não pode se dar ao luxo de confiar plenamente em qualquer um que seja, nem mesmo em seus aliados. A facada que levou pode ter sido obra da oposição, mas também pode perfeitamente ter sido uma obra interna.

A mim caberá fazer o que sempre fiz: analisar e julgar os fatos. Posso ser oposição ao governo Bolsonaro se isso for cabível, mas se ele realmente cumprir com suas promessas e fizer um bom governo não terei razões para criticá-lo. Caso isso aconteça meu maior pecado terá sido o ceticismo, pelo qual não pedirei nenhum perdão.


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