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Loucos, cegos e surdos: o Mito e o monstro

Aqueles que idolatram Jair Bolsonaro e realmente creem em sua suposta grandeza, em sua honradez ou ainda em seus discursos milagrosos para solucionar os problemas do Brasil estão simplesmente cegos e surdos. Eles não estão vendo, não estão ouvindo, e não reconheceriam a verdade nem que ela viesse montada em um cavalo alado na forma de um Messias ressurgido. 

Por outro lado, os adversários que veem um monstro onde há apenas um político estão completamente loucos. O que a imprensa tem feito é um erro grave. O que diversos rivais do deputado dizem sobre ele é insano. Trata-se de uma demonização barata e ao mesmo tempo burra.


A verdade é bem mais simples. Bolsonaro não é um mito, mas também não é um monstro. Ele é apenas um homem, uma pessoa, um político. Se por um lado ele pode e deve ser criticado pelas besteiras que diz e faz, por outro lado não tem o menor sentido demonizá-lo com base em um personagem imaginário criado apenas para ser algoz.

A imprensa, o centrão, as esquerdas em geral estão cometendo um grave erro. Aliás, estão repetindo um erro que já cometem há bastante tempo. Jair Bolsonaro é meramente o subproduto dessa conduta inquisitória e assassina que se instaurou na política da última década. E tudo isso começou porque um deputado do baixo clero, certo dia, resolveu opinar contra o Kit Gay. 

Antes disso este mesmo deputado voava muito abaixo do radar, mas depois passou a ser tratado como herói, e isso só foi possível porque havia, do outro lado, os verdadeiros vilões. Aqueles que atuaram na política para manter o poder a qualquer preço agora estão pagando um preço alto, mas ninguém pagará mais caro do que nós. O assassinato de reputações, direcionado quase exclusivamente para os que ousaram expressar opiniões contrárias a esquerda, se tornou um expediente perigoso, mas também foi a ferramenta usada para forjar mártires sem máculas.

Chamar Bolsonaro de nazista é um absurdo. É mais absurdo ainda quando bastaria chamá-lo de mentiroso e oportunista. Eu, que sempre o critiquei, não posso fingir que não exista uma perseguição clara ao deputado. Ele foi escolhido para ser o saco de pancadas da imprensa e de quase toda a classe política da qual faz parte. E enquanto poderiam apontar verdades contra ele, resolveram aplicar uma rotina de mentiras descabidas, de distorções, de acusações insensatas e exageradas.

Os maiores culpados de estarmos hoje nesta situação são justamente o centrão e a imprensa. Alckmin, que realmente poderia ser conciliador como se propõe, resolveu entrar no joguinho sujo. Nada esperto de sua parte. Ele, que tem o maior tempo de TV, poderia estar agora comemorando a primeira posição nas pesquisas, bastaria ter desprezado esse antagonismo infantil contra seu adversário e ter focado no que realmente importava. 

Se desde o começo Alckmin tivesse focado em antagonizar com Ciro Gomes, com o PT, com Marina Silva, hoje estaria colhendo os louros de uma vitória fácil, pois Bolsonaro não teria nenhum palanque para dizer suas bobagens. Os minions teriam que se contentar em atacar todo mundo no Twitter. Mas o tucano resolveu, de próprio punho, conceder seu espaço para falar de Bolsonaro, e o resultado tem sido exatamente o que previ no começo da campanha (leia aqui).

No entanto ninguém está mais engajado nessa campanha eleitoral do que o jornalismo. Sim, ele mesmo. O jornalismo brasileiro foi substituído por um comitê de campanha. O que Noblat tem feito no Twitter deve ter garantido a Bolsonaro pelo menos uns 10 mil votos. Os comentários absolutamente raivosos de grande parte da imprensa nos levam a uma viagem no tempo. Parece que estamos novamente em 2016, quando toda a imprensa mundial só sabia atacar violentamente Donald Trump e o Brexit - o que, aliás, ainda continua.

A verdade é que boa parte das análises que fiz no passado consideravam os fatos daquele momento (como toda análise, aliás). No entanto é inegável que superestimei em toneladas a capacidade e a inteligência dos opositores de Jair Bolsonaro. Acreditei, sinceramente, que fariam do jeito mais fácil e correto, que seria ignorá-lo. 

Bolsonaro nem mesmo chegou tão longe por conta própria, mas pelo esforço contínuo de seus opositores em demonizá-lo. Se o discurso do deputado era justamente o de "ser o único" contra todos, essa atitude acabou corroborando a farsa. E embora tenha previsto esse cenário em algumas análises, não achei que realmente fosse acontecer, pois é de uma burrice inexplicável.

Agora, entretanto, é preciso mostrar que não foi só um lado que errou. Enquanto a esquerda demonizava Jair Bolsonaro, a direita passou pelo menos quatro anos sem construir qualquer alternativa viável. Parte dela por estar embriagada, por acreditar cegamente que o deputado vai salvar o país, e a outra parte por ser apenas incompetente ou igualmente oportunista. 

Para piorar tudo, boa parte dos formadores de opinião da direita brasileira embarcaram no erro e passaram a fomentar os soldadinhos da militância bolsonarista, e eles fizeram tudo isso em troca de likes. Aqui, para que fique claro, cito o mais do que vendido Flávio Morgenstern, que é de longe quem mais perdeu a vergonha. Ele largou tudo o que dizia acreditar sobre conservadorismo para ter alguns milhares de seguidores em seu site medíocre. É uma pena, realmente.

Com tudo isso o resultado era óbvio. O fanatismo à "direita" veio com força nestas eleições, e aí se tornou vale tudo. Bolsominions demonizando qualquer um que surgisse como opção viável à direita, esquerdistas demonizando Bolsonaro e toda sua tropa de surdos e cegos, ignorando que estes são apenas os filhos bastardos daqueles.

Qual é a nossa situação? Teremos que escolher, ao que tudo indica, entre o medíocre Jair Bolsonaro e o absolutamente execrável Fernando Haddad. De um lado há aqueles que vão votar no PT novamente apenas para não darem uma chance ao capitão, e do outro lado ocorre que muitos vão votar em Bolsonaro apenas pelo ódio que nutrem por tudo o que a esquerda brasileira representa. Ou seja, o povo escolherá petistas vermelhos ou petistas azuis, será enganado outra vez e obviamente entraremos em mais uma severa crise que perdurará neste país.

Mas nada do que digo aqui vai adiantar. A direita errou. A esquerda fez o que todos sabiam que faria, mas nós tínhamos que atuar para gerar condições favoráveis. O cenário atual é uma situação de ganha ou ganha para a extrema-esquerda brasileira. Ela ganhará no curto prazo ou ganhará no longo prazo.

Se Haddad levar essa, o PT terá vencido sua quinta eleição consecutiva e esfregará isso em nossas caras através de uma perseguição implacável. Se Bolsonaro vencer, a esquerda fará o que sabe fazer, uma oposição violenta e voraz que impedirá o novo presidente de dar qualquer passo adiante - se é que ela daria algum passo. É um tiroteio, mas nós estamos sem armas, sem coletes e certamente sem cobertura. Ficaremos no meio do fogo cruzado, sairemos feridos e no final eles vencerão como sempre.

A realidade, no entanto, persiste, e ela é a mesma desde a primeira eleição que acompanhei de perto: a de 2002.  Toda eleição neste país será uma tristeza. Ficamos sempre entre o ruim e o pior ainda, e a escolha se dá quase que por medo. Seremos eternamente uma colônia de escravos.
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