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MBL e Bolsonaro: O amadorismo como ferramenta do desespero

Qualquer um que acompanhe o Movimento Brasil Livre sabe que, desde o princípio, sempre houve atritos entre o grupo e a turma de Jair Bolsonaro. Verdade seja dita, na esmagadora maioria das vezes essas tretas ocorreram de maneira unilateral, sendo a turma do Bolsonaro a responsável por causar tumultos.

Em boa parte das vezes o MBL não revidou os ataques gratuitos que sofreu, e a decisão partiu de um pressuposto um tanto questionável, o de que entrar em conflito com os fãs do deputado traria perda de seguidores e uma enxurrada de xingamentos e provocações, o que é verdade. De fato o MBL seria atacado pelos bolsominions com muito mais veemência se revidasse os ataques.


A questão, entretanto, é que não atacar frontalmente Jair Bolsonaro custou caro ao movimento. A covardia como estratégia abriu uma avenida para que os minions armassem, por anos, a mais clara perseguição. Dia e noite o MBL se tornou assunto nos grupos de Facebook e Whatsapp desta claque, em muitos casos as iniciativas partiram diretamente do gabinete do deputado ou de um de seus filhos. 

No início do ano passado, por exemplo, foi o próprio Eduardo Bolsonaro quem validou uma mentira de uma jornalista do BuzzFeed (site ultra esquerdista) sobre o suposto caixa 2 de Fernando Holiday. No final do mesmo ano houve a tentativa frustrada de Alexandre Frota em roubar a marca do MBL, o que também partiu diretamente de Jair e Eduardo. 

Todas estas situações e outras muitas causaram desgaste do MBL com a direita, e esse desgaste foi potencializado de forma assustadora justamente porque o movimento não reagiu a altura em nenhum momento. A covardia teve como seu preço a impressão comum de que Bolsonaro e sua gangue de malucos chutou o rabo do movimento, o que em alguns casos chega até a ser verdade. Com isso o MBL foi perdendo terreno no mundo real, mesmo que isso não se refletisse nas redes socais.

Agora devemos entrar em outra questão, o maior de todos os problemas: Eleições 2018.

Por conta da tensão sobre as eleições deste ano, o MBL começou já no início de 2017 uma forte campanha apoiando o nome de Dória para a presidência. Confesso, aliás, que eu mesmo cheguei a apoiar a ideia, embora soubesse desde o começo que ele não seria o candidato tucano em nenhuma hipótese. A questão é que esta campanha foi um erro, uma precipitação que gerou conflitos de interesse dentro e fora do MBL. Isso, mesmo que digam o contrário, ajudou a corroer a relação do grupo com João Dória e foi o começo do fim, que acabou com o rompimento precoce entre as partes ainda no ano passado.

Muitos consideraram correta a atitude do MBL ao romper com João Dória, e sob alguns aspectos não se pode dizer que foi um erro. O erro foi, antes de tudo, ter aprofundado demais uma relação que ainda estava no início. O amadorismo já começou por aí. Depois disso, é preciso entender, o rompimento entre as partes gerou ainda mais desgaste. Municiou a extrema-esquerda que odeia mais João Dória do que Jair Bolsonaro e ainda serviu para provar que tudo até ali havia sido um enorme desperdício de esforços e de tempo.

Por ter apoiado João Dória enfaticamente, o MBL pagou outro preço. Se antes os bolsominions já odiavam o movimento por ele não servir de palanque para Bolsonaro, o fato de terem apoiado o tucano criou em todos a noção de que o movimento preferiria qualquer um no lugar do capitão. Neste caso o ódio só aumentou.

Com o rompimento entre MBL e João Dória, o movimento perdeu espaço na prefeitura de São Paulo e perdeu poder político. Isso ainda coincidiu com toda a pressão da extrema-esquerda contra a direita nas redes sociais, com a redução do alcance das páginas e os ataques da imprensa que acusam o movimento de propagar notícias falsas. 

Desgaste atrás de desgaste. O MBL deveria ter aprendido com os erros. Uma das lições de tudo isso é que não se pode, na política, meter os pés pelas mãos. A precipitação pode custar caro. A outra lição é que a postura frouxa diante de Jair Bolsonaro e seus ataques sujos não resultou em nada positivo para o grupo, que foi atacado e desmontado dia após dia. Mas o MBL não aprendeu. Como prova disso voltaram a cometer o mesmo erro, desta vez com Flávio Rocha.

O movimento entrou de cabeça na pré-campanha do dono da Riachuelo, passou meses e meses projetando sua candidatura. No final, nos últimos instantes, Flávio Rocha desistiu da e deixou todos na mão. Mais uma vez o MBL fica órfão de candidato a presidente. E aqui, é preciso frisar, já estava bem óbvio. Sempre vi com certa desconfiança esta candidatura.

Algo que é preciso ser dito antes de chegarmos à conclusão deste artigo é que a própria iniciativa de correr atrás de um candidato a presidente, por parte do MBL, foi um enorme erro desde o início. O movimento não precisava disso em momento algum. Não só não precisava como, aliás, nem deveria. Como um movimento grande e bem sucedido o que lhes cabia era uma atividade diferente. Primeiramente, deveriam focar nas candidaturas para os cargos legislativos. Depois disso caberia também buscar influência em outros meios, expandindo as ramificações do movimento para dentro da sociedade.

Só para início de conversa, se o MBL tivesse real poder de influência fora das redes sociais, ele não só teria superado numa boa os problemas com a perda de alcance e exclusão das páginas no Facebook como, ainda, teria algum poder de barganha dentro dos partidos nos quais seus membros estão filiados. Nos grandes partidos as decisões costumam ser tomadas de acordo com a influência política dos envolvidos, mas qualquer político experiente do PSDB ou DEM sabe que o poder do MBL se resume a vídeos no Youtube e postagens raivosas no Facebook. Tem alcance, sim, mas não tem tanto impacto no mundo real (isto deixarei para outro texto).

De toda forma, agora, a situação é irreversível. Os danos já foram profundos demais e ficaram sem curativo por um longo tempo. Após a desistência de Flávio Rocha cabia ao MBL buscar o que estava ao alcance: a eleição de Kim e Arthur, a recuperação do alcance nas redes (mesmo que fora do Facebook) e, especialmente, a reestruturação de suas estratégias de longo prazo. Mas é claro que nada disso aconteceu. Para acontecer, primeiro, seria preciso admitir alguns erros, e os irmãos Santos são conhecidos pela extrema arrogância, não pela maturidade ou pela habilidade em resolver problemas. Pelo contrário, aliás. Desde o começo do ano passado houve uma sucessão de erros por parte de ambos que geraram problemas em vez de saná-los.

No momento, então, o que o MBL tem feito? Se você segue as páginas deles nas redes, deve ter notado que é diária a puxação de saco em prol de Jair Bolsonaro. Foram diversos vídeos no Youtube defendendo o capitão ou enaltecendo suas atuações em entrevistas. Muitas foram as postagens no Facebook do MBL ou de seus membros aprovando sua atuação no debate. 

A verdade? Qualquer imbecil sabe que Bolsonaro não fez absolutamente nada de diferente do que sempre fez. Ele se saiu tanto nas entrevistas recentes como no debate da Band como já era esperado. Ou seja, ele foi mediano, teve uns poucos bons momentos e, especialmente no caso do Roda Viva, contou com a sorte de sempre em lidar com os jornalistas que querem lacrar em vez de lucrar. Na entrevista da Globo News, por exemplo, ele teve que lidar com jornalistas um pouco mais maduros que lhe questionaram sobre impostos, suas propostas no ramo da segurança, etc. Nestes casos específicos ele demonstrou desespero claro e total falta de planejamento. Nada fora do padrão ou diferente do que se esperava.

Essa puxação de saco é a repetição do mesmo erro. Aparentemente o desespero leva o MBL a procurar atalhos em todas as vezes. Agora que estão novamente órfãos de candidato a presidente, querem desesperadamente um paizão que lhes ofereça a mão. Mas Bolsonaro não é este homem. Bolsonaro é ainda menos confiável do que João Dória ou Flávio Rocha. Bolsonaro é basicamente um falastrão lunático cercado de outros lunáticos, ele não tem sequer objetivos claros em sua mente e não é nem mesmo correto perante os próprios filhos. Quem sabe o que ele fez em relação ao Flávio no começo deste ano também sabe o que quero dizer.

Ao voltarem com o discurso de "unidade da direita", o que só existe em pautas bem específicas, eles acabaram novamente se colocando em uma posição na qual dependem não deles próprios, mas dos inimigos internos para obterem sucesso. Além disso, esta aproximação com os bolsominios já foi testada outras três vezes e sempre resultou em fracasso. Sempre pela mesma razão: Bolsonaro e sua claque odeiam o MBL e buscam minar qualquer projeto político que possa ser uma demonstração da incompetência do "mito". É isso e ponto final.

Como a arrogância predomina no movimento, eles são impossibilitados de assumirem os próprios erros. Por consequência também não os corrigem. O que sobra é o desespero. No desespero recorrem ao amadorismo, porque de profissionalismo não há nada ali. O crescimento de Jair Bolsonaro nas pesquisas faz com que o MBL sinta que vai dar pé. É claro que pesquisas feitas meses antes das eleições dificilmente acertam, e qualquer um pode verificar. O próprio João Dória não estava sequer no páreo antes de a campanha chegar até a metade, mas ganhou em primeiro turno. Enquanto isso o favorito, que era Celso Russomanno, não chegou a arranhar seus adversários. Mas aqui estou eu novamente dizendo o óbvio.

Fato é que mesmo com uma improvável vitória de Jair Bolsonaro, o MBL não conseguirá arrancar nada que seja útil ou favorável. Bolsonaro é um inimigo declarado da direita pragmática e é cercado de malucos que odeiam o movimento. Além disso, os atritos são um problema antigo e insolúvel. Se Bolsonaro vencesse e por acaso resolvesse agir com decência, ele entraria em conflito direto com a claque que o apoia há anos. Se Bolsonaro se aliasse hoje ao MBL ele seria massacrado pela turma que odeia o MBL e teria que lidar com problemas internos, com gente desistindo de sua campanha e principalmente com a pressão familiar.

Ademais, depois de hipoteticamente vencer a eleição e se tornar presidente, para que diabos ele precisaria do apoio do MBL? Para nada. Mesmo que ele aceite tacitamente o apoio do grupo para sua campanha e finja não se importar com essa babação de ovo, é óbvio que após eleito ele tem compromisso zero com o Movimento Brasil Livre. Na melhor das hipóteses irá apenas deixá-lo para escanteio, na pior irá usar seu poder para esmagá-lo como fez com os trouxas do Livres.

É preciso mencionar, naturalmente, que sempre fui apoiador do movimento. Fui parceiro do MBL durante um longo tempo e defendi o grupo de ataques maliciosos e das fake news. Ainda continuarei a defendê-lo quando estiver certo, mas não é este o caso. O que o MBL está fazendo neste momento é um enterro. Trata-se do enterro de um projeto que poderia ser promissor e que poderia trazer para a direita brasileira diversas possibilidades.

Quem me conhece sabe perfeitamente que não sou do tipo que apoia ninguém cegamente. Apoiei o MBL enquanto o movimento acertou, mas não o apoiarei no erro. Se quiserem errar, errarão por conta própria e isso não é mais problema meu. Deste modo deixo claro meu rompimento com o grupo. Não os considero meus inimigos, mas também não os vejo mais como aliados.


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