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Assumir os erros e retomar a luta ou nada feito

Antes de mais nada quero deixar claro algo importante: já tem algum tempo que não nutro a mais remota esperança de ver qualquer das coisas que escrevo por aqui sobre sugestões à direita tornarem-se realidade. Na prática mesmo este blog tem servido mais para registro, para que lá no futuro as pessoas pelo menos saibam que fui na direção oposta à manada e não fiz parte de ações que já estão nos trazendo prejuízos e que ainda vão nos trazer muito mais. Dito isso, vamos ao que importa, a necessária e urgente reestruturação da direita no Brasil.


Nos últimos dois anos, após uma rápida ascensão da direita, principalmente no meio digital, as esquerdas se uniram contra nós. Aliás, não só as esquerdas. Todo o establishment entrou em uma guerra contra sites independentes, movimentos políticos, formadores de opinião, etc. Mais recentemente houve a exclusão em massa de diversas páginas de direita no Facebook, além de casos de vídeos censurados no Youtube ou bloqueios temporários no Twitter. Estas ações foram parte de algo maior, algo coordenado. É óbvio que uma das principais razões para tudo isso era nos silenciar antes do período eleitoral, uma vez que em 2016 tivemos enorme repercussão nas redes enquanto malhávamos nossos principais inimigos.

Entretanto, não faz muito sentido e nem é útil ficar remoendo isso. Sabemos da estratégia deles agora, mas eles sabiam da nossa muito antes. A questão não é a intenção que tiveram ou mesmo as motivações, porque isso não tem relevância. O que realmente importa é a eficiência com a qual eles têm conseguido nos neutralizar. Apesar de uma direita que vinha crescendo exponencialmente na última década, bastou para eles um pouco de organização e foco sobre alguns alvos para que obtivessem êxito. Verdade seja dita, eles nos esmagaram com considerável facilidade.

Sim, nós perdemos! O MBL pode não querer admitir, Luciano Ayan pode se negar a acreditar, os olavettes podem até se justificar pela derrota culpando a maldade de nossos inimigos. Mesmo assim nós perdemos esta batalha, e foi uma derrota brutal, sem que tenhamos de fato reagido à altura. Alguns podem dizer que "ainda há muitas páginas no ar" e que "ainda existem muitos formadores de opinião influentes do nosso lado". É verdade, mas não importa. O inimigo acertou um golpe que nos deixou no mínimo debilitados. Se as coisas continuarem assim mais derrotas virão, é inevitável.

É importante reconhecer o fato e também reconhecer que nosso inimigo foi superior nesta batalha. A importância disso está, primeiro, em aceitar a realidade como ela é, e depois no fato de que assumindo isso para nós mesmos é que poderemos juntar os cacos e voltar para esta guerra após nos reconstituirmos. É necessário reconhecer a superioridade tática do nosso inimigo, também, para que possamos pensar em como lutar com ele de forma equilibrada ou até superior no futuro.

Para que tudo isso faça algum sentido, então, é preciso entender onde erramos. Primeiramente, erramos ao ficarmos esse tempo todo dependentes das redes sociais. Tenho dito há anos que a direita brasileira não é nada sem o Facebook ou o Youtube. Nossos inimigos literalmente nos quebraram com um movimento simples, que foi remover muitas de nossas páginas das redes sociais ou mesmo reduzir o alcance delas.

Outro erro grave que cometemos foi o de não medir corretamente qual seria a reação deles contra nós após passarmos anos batendo neles diuturnamente. É imprescindível compreender que não nos preparamos para o contra-ataque. Subestimar o inimigo, neste caso, chega a ser um eufemismo. Nós desprezamos absolutamente a mera possibilidade de que ele fosse reagir contra o que fazíamos. É como se eu desse um soco na cara do Mike Tyson e depois virasse as costas, achando que nada aconteceria. Obviamente, se eu fizesse isso, Tyson me daria uma bela surra. Nós deveríamos ter previsto ou pelo menos tentado.

Além de subestimar o inimigo, também falhamos em não conhecê-lo de verdade. A direita brasileira desconhecia figuras como Pablo Ortellado, Fábio Malini ou mesmo os gestores das agências de censura. Porém, é preciso pensar, nenhum deles surgiu agora, eles não nasceram no ano passado ou retrasado. Todos eles já estavam nesse ramo há muito tempo e só tomamos conhecimento quando eles já colocavam a estratégia em curso. Uma falha grave. Eles sabiam tudo a nosso respeito, tinham uma boa noção de como operávamos, nos testaram e nos viram falhar. Mas o que sabíamos sobre eles até que começassem a nos destruir? Muito pouco ou até mesmo nada.

Hoje há muitos grupos de direita tentando bater de frente com esses gigantes. Há até quem acredite que seja possível recuperarmos tudo do jeito que estava, que vamos voltar para o Facebook, que teremos nossas páginas de volta. Mas sejamos minimamente realistas em reconhecer o óbvio: nada voltará a ser como antes. Eles não fizeram todo esse esforço para que uma ou duas semanas depois as coisas voltassem ao "normal". Para eles, que têm sido mais espertos do que nós, o normal é o nosso silêncio enquanto eles dominam o debate político no país. Esta é a normalidade que pretendem recuperar e que, até o momento, estão conseguindo de forma eficaz, ainda que aos poucos.

Nossos inimigos são pacientes e neste caso não foi diferente. Eles nos viram crescer, nos analisaram, seguiram nossos passos, e depois de realmente saberem o que fazer é que decidiram agir de forma enérgica. Além de serem pacientes eles também são mais poderosos. O conluio todo envolve gente grande. Há os portais da grande mídia, cujo interesse é recuperar o domínio da opinião pública. Há os partidos políticos enfraquecidos com a ascensão da direita querendo reconquistar o púlpito. Há, ainda, os sites satélites da esquerda radical como Brasil 247 ou Carta Capital, que estão ansiosos para retomar o controle do submundo das redes. Fora isso ainda temos a estrutura do próprio sistema em si.

Quando fomos atacados, não fomos atacados apenas por um deles, mas por todos. Foi um ataque coordenado, de longo prazo, mas que trouxe resultados inegáveis. O Facebook foi meramente um recurso. Usaram o Facebook porque sabiam que sem as nossas páginas não seríamos uma grande ameaça para ninguém. 

O que podemos fazer, então? 

Primeiro é preciso que deixemos de ser dependentes das redes sociais. A direita precisa sair da bolha, precisa largar um pouco a internet e começar a plantar suas sementes no mundo real. Hoje nós não temos nenhuma influência que não dependa diretamente de Facebook, Youtube ou Twitter. Ainda existem muitas páginas e canais de direita ativos, mas por quanto tempo? É necessário que os grupos políticos de direita comecem a se organizar de verdade no mundo real, como a esquerda faz desde sempre. Se nós tivéssemos isso hoje, por exemplo, a censura no Facebook seria um problema totalmente reversível, pois teríamos como lutar com outras armas. Hoje não temos essa alternativa.

A direita também precisa se organizar melhor em termos de inteligência. Se nossos inimigos nos conhecerem bem e nós não soubermos muito sobre eles, a tendência é que mais derrotas como esta venham no futuro. Por outro lado, se realmente estudarmos aqueles com quem vamos lutar, se soubermos quem são, onde estão e o que fazem, podemos prever seus movimentos e até mesmo neutralizar ataques pesados.

Apenas para que meu leitor tenha uma ideia do que quero dizer, usarei o exemplo do Jornalivre. Eu, Roger, já sabia que todas as minhas páginas seriam deletadas, e sabia disso com quase um ano de antecedência. Meu erro foi ter confiado na estratégia de pessoas que atuavam comigo e que, na realidade, não tinham estratégia alguma além de continuar com tudo como já estava. Este erro não repetirei outra vez. No futuro seguirei meus próprios instintos.

Por que eu sabia? Porque os sinais eram óbvios, eram muito claros. A exclusão do Jornalivre não aconteceu agora, do nada. Ela começou ainda em 2016, e em 2017 o plano já começou a ficar mais evidente. Mas isto é tema para outro artigo. 

Em breve teremos eleições e o resultado ainda é incerto. Há aqueles que estão apostando tudo, mas tudo mesmo na vitória fácil de Bolsonaro. Particularmente tenho achado cada vez mais complexo o cenário. Quanto mais se aproxima o pleito, mais nebuloso fica. Certamente não será uma vitória fácil, se houver vitória. Contudo, se não houver vitória, toda essa horda infantiloide que gira ao redor do bolsonarismo irá desmoronar. Eles passaram os últimos quatro anos colocando todos os ovos em uma só cesta, e uma vez que esta cesta caia no chão todo o projeto deles irá para o ralo. O que restará? Se reorganizar, talvez começar do zero, ou simplesmente desistir.

Seja como for, com ou se Bolsonaro, a direita morrerá se continuar como está. Se vencer, aliás, quem vai nos destruir será ele próprio. Se perder, a direita terá passado por uma humilhação contínua que pesará muito no futuro próximo. O MBL, talvez o maior movimento de direita ainda existente por aqui, já deixou claro que vai cair de boca no desespero de não ter um papai na presidência, o que é uma pena já que se Bolsonaro realmente se eleger sua primeira atitude será a de destroçar vorazmente movimentos pragmáticos que não fecharam com ele cegamente. Se ele não fizer de forma direta, algum de seus lacaios fará por ele.

Qual será a nossa alternativa diante destes possíveis cenários? Alguém realmente acha que o Bolsonaro, se ganhar, vai resolver alguma coisa no meio de todo esse pandemônio? Isso é apenas impossível. Com alguma sorte talvez ele consiga governar dentro do mínimo, mas a probabilidade é a de uma oposição diabólica pior até do que a que Trump tem enfrentado nos EUA, inclusive pelo fato de que as esquerdas brasileiras se dividem basicamente entre moderadas, radicais ou ultra-radicais, e também pelo fato de que a discrepância quantitativa em comparação ao que há de direitismo por aqui é imensa.

O que vejo como opção, agora, é que todos sentem, se organizem com calma, vejam quais são as verdadeiras alternativas. Evidentemente teremos que alterar alguns métodos e escolher alguns caminhos diferentes dos que já trilhamos. Não é muito fácil admitir isso. Não é bacana admitir o erro e nem largar tudo o que já foi construído. É da nossa natureza querer se agarrar ao passado, ao que já temos ou tínhamos. Mas isso não será eficiente. Se nossos inimigos evoluem nós temos obrigação de evoluir também. 

Em breve voltarei a este assunto, mas chega de prolongar este já longo artigo.
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