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Os "liberais" que querem destruir o liberalismo

Estou há muitos anos envolvido com política e passei grande parte deste período diretamente envolvido, também, com o movimento liberal. Nesse movimento conheci muita gente bem intencionada, ainda que alguns fossem leigos, também conheci diversos pilantras e alpinistas sociais que só queriam virar sub-celebridades e, é claro, conheci canalhas da pior estirpe.

Embora o discurso seja sempre o mesmo, ou seja, todas aquelas críticas aos políticos, ao sistema, ao modo como as coisas são feitas e a proposta renovadora de quem diz que vai mudar o mundo para melhor, a verdade é que tudo isso cai por terra quando o poder e o protagonismo entram em jogo. Os bem intencionados e leigos são derrubados pelos espertinhos e pelos malandros, que passam a ganhar mais espaço e falar em nome de todo o movimento. Se isso lhe parece familiar é porque você já assistiu a Game of Thrones, de fato não é tão diferente assim.


Nos últimos tempos alguns grupos e pessoas ganharam bastante espaço. Este é o caso do Livres, do Joel Pinheiro e de toda a turma diretamente ligada a este grupo. Fábio Ostermann, Alexandre Paiva, o próprio Joel e muitos outros perceberam o protagonismo de grupos mais fisiológicos como o MBL e, na ânsia de quererem para eles os holofotes, passaram a atacar toda iniciativa liberal que não fosse a deles próprios. A alegação para isso sempre foi a mesma: a de que movimentos fisiológicos estariam "se misturando com a classe política", que estavam desvirtuando a coisa toda. 

Talvez seja verdade, talvez não seja. O que é verdadeiro, de toda forma, é que essa batalha interna não teve como intuito o "bem maior" e nem mesmo a expansão do liberalismo no Brasil. Pelo contrário, aliás. O objetivo, talvez, tenha sido exatamente o inverso, o de fazer com que o movimento liberal caísse no mais completo ostracismo. Para alcançar tal objetivo o que foi feito? Fisiologismo, mas com movimentos e partidos que são abertamente nossos inimigos.

Essa movimentação se tornou notória depois que o Livres ganhou algum corpo. Após terem enganado milhares de pessoas com o discurso pró-liberdade no formato Milton Friedman, estes supostos liberais começaram a se aproximar perigosamente de grupos de extrema-esquerda. O Livres, por exemplo, estava tão preocupado com essa pauta que passou a encampar o discurso feminista, e fez isso sob o pretexto de que traria a simpatia de militantes do lado adversário. Mas será que isso é verdade?

Claro que não. Por algum tempo até pensei que fosse mera estupidez, mas como sempre digo aos meus inscritos, me recuso a subestimar a inteligência alheia. Ninguém é tão burro quanto possa parecer. Aquilo que no início interpretei como um tropeço, mais tarde ficou claro como uma manobra.

O tempo passou e o Livres virou uma espécie de curral de esquerdistas travestidos de liberais, defendendo pautas que sequer eram prioritárias e se alinhando cada vez mais aos inimigos que sabidamente nos odeiam. Quando Bolsonaro e Luciano Bivar negociaram a entrada do deputado no PSL, o Livres saiu fora e firmou parceria com partidos como a REDE e o PPS. A saber, PPS é um partido tradicionalmente de esquerda, e a REDE é composta quase integralmente por ex-petistas e ex-psolistas.

A manobra ficou evidente quando, antes de acontecer, o blogueiro Joel Pinheiro cantou a bola em um vídeo para o Youtube. Ele disse, antes de a mudança ocorrer, que o Livres deveria ir para a REDE. Segundo ele, a REDE é "um partido sério", mas Joel não contou aos seus inscritos que é filho do homem que apoiou a campanha de Marina Silva em 2014. 

Gianetti, pai de Joel, não é um idiota qualquer. Trata-se de um conhecido economista, o que torna tudo ainda mais estranho. Por que alguém que entende de economia apoiaria o projeto político de Marina? Por que um auto-proclamado liberal apoiaria tamanha aberração? Marina Silva é uma mulher que se criou na CUT e foi ministra de Lula, ela saiu do PT somente em 2009. O projeto político dela e de seu partido é quase que meramente uma repetição do que o PT realizou em seu governo. Sendo assim não há razões técnicas ou ideológicas para um liberal apoiá-la, a não ser que ele não seja um liberal de verdade.

Alexandre Paiva, um dos maiores calhordas que conheci no movimento, sabe plenamente que está errado, tanto é que em seu Facebook ele negou veementemente que o Livres tenha feito uma parceria com a REDE. Ele diz, aliás, que é apenas um "espaço para lançar candidaturas".





Permita-me explicar como isso funciona...

Se o Livres, composto por supostos liberais, vai lançar candidaturas pela REDE, isso significa que a REDE será a dona das cadeiras eleitas e também dona dos votos. Em uma eleição proporcional, como para deputado ou vereador, o candidato eleito não é necessariamente o mais votado no pleito, ele é o mais votado pela legenda que teve mais votos. Se o Livres lançar candidatos pela REDE e não conseguir que estes candidatos sejam os mais votados da coligação, isso significa que o candidato mais votado da coligação é quem vai entrar no Congresso com os votos do Livres, não o contrário. 

Seja como for, quem se beneficia com isso não é o Livres, é o partido. É por isso que em eleições proporcionais os partidos não se importam muito com quem vai se candidatar. Eles lançam vários candidatos, alguns com maior e outros com menor influência, na esperança de que os de maior influência tragam votos para a coligação e se elejam, enquanto os candidatos menores só servem para puxar votos dos adversários em pequenos currais eleitorais. Novamente, quem se beneficia com a ida do Livres para a REDE é a própria REDE, que não tem absolutamente nada a perder. O Livres só estará levando votos para eles.

Além disso, é importante lembrar, a parceria com a REDE foi anunciada pelo próprio Livres em uma conferência publicada em vídeo. Paiva não é tão estúpido a ponto de não saber destas informações, já que ele está envolvido em política desde 2013. Ele mentiu.



O que dá para para constatar, sem muito esforço, é que o Livres está ajudando a REDE e que isso já faz parte do plano. Joel Pinheiro esteve envolvido, ele e seu pai aparentemente gostam de Marina Silva bem mais do que o normal. 

O que levaria um movimento liberal a apoiar um partido que é sabidamente de orientação socialista? Por que liberais apoiariam um plano econômico que é diametralmente oposto a qualquer agenda liberal? A resposta é simples: não são liberais, são inimigos infiltrados e dedicados a destruir o movimento.

Não estou aqui acusando todos eles. Sei que há, no Livres, bastante gente de boa índole. Mas estas pessoas estão caindo na lábia dos malandros, estão sendo usadas para fazer volume. A finalidade do Livres nunca foi defender as pautas liberais. Todo o discurso em prol das liberdades é furado, é conversa fiada. 

O objetivo do grupo sempre foi dar o protagonismo do movimento a sujeitos imprestáveis que nunca conquistaram coisa alguma, mas que ficam do alto de seus apartamentos ditando como os outros devem fazer o que eles próprios não fazem. Foi com esse objetivo em mente que o Livres realizou um esforço hercúleo para atacar outros "players" dentro do próprio movimento, e foi por isso que não houve a menor dedicação em relação ao comando do PSL - coisa que já tratei em outro artigo. 

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