Header Ads

Minha entrevista completa para o UOL (sem cortes)

O jornalista Diego Toledo, do portal UOL, fez uma entrevista por e-mail comigo há algumas semanas. Hoje a entrevista foi publicada, junto com outras pessoas que também foram entrevistadas. 


Para demonstrar uma suposta imparcialidade, o jornalista buscou sites de direita e de esquerda, só que no caso dos sites de direita ele buscou gente conhecida, com sites grandes como o meu, e para sites de esquerda ele trouxe alguns portais irrelevantes que quase ninguém sabe que existem. Passou longe de Brasil 247 ou Carta Capital, por exemplo, que são portais com alguma relevância.

Abaixo segue a íntegra da entrevista, cujo conteúdo publicado no UOL foi menos de 10%. Fica para meus leitores a interpretação.

- Qual sua idade, formação e onde você mora? 

Tenho 27 anos, sou formado em contabilidade e estudante informal de política desde a infância. Moro em Joinville. 

- Como e por que surgiu o Jornalivre? Como você define o conteúdo produzido para o site? 

Um pequeno grupo de pessoas decidiu que era hora de criar um site voltado para notícias e notas sobre política, com conteúdo diário, direcionado para um público carente de sites do gênero. O conteúdo é objetivo e claro, com posicionamento político de direita. O viés deste conteúdo nunca foi segredo, sempre foi assumido que o site era de direita. 

- Como é a operação do Jornalivre? Quem faz o conteúdo (quantas pessoas)? Qual a rotina da equipe? 

Não darei detalhes a respeito de como funciona o site. 

- Além do Jornalivre e do Modo Espartano, você também é responsável por outras páginas e perfis sobre política? Quais? 

Já fui responsável por diversas páginas no Facebook, inclusive páginas de humor. Também já tive outros sites com conteúdo político. Hoje mantenho foco apenas no Jornalivre e no Modo Espartano. 

- Por que você só assumiu a autoria pelo Jornalivre no ano passado? Qual a razão para o anonimato na fase inicial do site? 

Porque antes disso eu não era editor, era apenas autor de alguns textos, os quais sempre assinei quando fossem textos opinativos, como ainda faço atualmente. Quanto ao anonimato, é simples: não estou muito interessado em ser conhecido, nem gosto de misturar vida pessoal com o resto. Fora desse meio sigo minha vida sem ser notado. 

- A operação do Jornalivre é monetizada? Como e por quê? Você paga (ou já pagou) para impulsionar links e posts no Google e no Facebook? 

O site sempre foi monetizado e esta é a única fonte de renda dele. Como editor, nunca paguei por impulsionamento, mas não posso afirmar que isso nunca tenha sido feito no passado por algum outro membro da equipe. 

- Como você se identifica politicamente? Permanece filiado ao PSL? Apoia ou tem o apoio de algum político ou partido? 

Sou liberal de direita. Permaneço filiado ao PSL atualmente, mas mais por preguiça de ir até a Justiça Eleitoral desfazer a filiação. Não atuo mais no partido desde o começo do ano passado, quando o Livres, que ainda fazia parte da legenda, tomou rumos com os quais discordava. Não apoio nenhum político em específico. Na realidade, nunca apoiei candidato algum. 

- Você simpatiza com algum(a) pré-candidato(a) à Presidência da República? 

Não. 

- Você tem relação com outras páginas ou grupos organizados de conteúdo político nas redes sociais? 

Já tive. Hoje mantenho distância confortável. 

- Quais os critérios de apuração de informações do Jornalivre? Há alguma precaução para ter rigor/precisão e evitar erros no conteúdo publicado? 

Qualquer um que acesse o Jornalivre regularmente sabe que usamos bastante informação de sites da grande mídia, não temos uma equipe de reportagem exclusiva fazendo matérias e entrevistando pessoas porque isso requer dinheiro. A apuração das informações é feita do modo mais claro e simples, que é o cruzamento de dados. Se uma informação é veiculada em algum portal grande, nós verificamos se outros portais respeitados já veicularam o mesmo ou se desmentiram a informação. Obviamente há casos indiscutíveis, quando há um vídeo que comprove a informação, um áudio ou coisa do tipo. 

- Você já sofreu algum processo ou teve de apagar algum conteúdo publicado no Jornalivre? Se arrepende de ter publicado algo? 

Já sofri muitas ameaças de processo, nenhuma delas com fundamento. O último que me ameaçou foi Gilberto Dimenstein, que chegou a mentir aos quatro ventos que havia um inquérito contra mim e que eu estava foragido, muito embora estivesse aqui, exatamente no mesmo lugar de sempre. Após passar vergonha nas redes sociais ele pediu arrego e enterrou o assunto. Nunca houve processo, mas talvez alguém já tenha tentado. Intimação eu ainda não recebi. Se me arrependo de algum conteúdo? Sim. Quem diz que não tem arrependimentos está mentindo. 

- Como reage às listas e artigos que incluem o Jornalivre entre as páginas acusadas de propagar “fake news”? 

Reajo como a qualquer coisa nova que me contam. Primeiro avalio a origem destas listas. Quem fez, quando fez. No início do ano passado sites de extrema-esquerda passaram a veicular uma lista atribuída à USP, alegando que havia um estudo sobre isso, colocaram no meio disso até o Monitor do Debate Político no Meio Digital e a Associação dos Especialistas em Políticas Públicas de SP. Ambos negaram qualquer envolvimento. A USP também negou. Assim mesmo, diversos sites esquerdistas continuam até hoje usando o tal "estudo". 

Sabe o que acho destas listas? São instrumentos de propaganda, um tipo de macartismo às avessas. Querem repetir a mentira de que publicamos fake news, uma mentira que nunca provaram, até que as pessoas comecem a acreditar. É uma forma de nos marcar. Isso não se trata de mim, nem do Jornalivre ou de qualquer site em específico. Muitos já foram vítimas desse tipo de coisa. O fato é que eles não gostam de ter concorrência, sentem saudade de um tempo em que eram a única voz ouvida e quando as pessoas que discordavam estavam presas em um espiral de silêncio. Agora que isso acabou, eles se desesperam, partem para o ataque calunioso. A esmagadora maioria dos sites que publicou esse tipo de lista incluindo nosso nome é justamente composta de pessoas que já foram processadas por calúnia e difamação, e muitas delas perderam os processos. No Modo Espartano já me dei ao trabalho de desmascarar a farsa, o link está aí: 


- A sua motivação ao fazer o Jornalivre é profissional (é uma atividade de trabalho como outra qualquer - para remunerar os seus serviços e pagar suas despesas) ou é político/ideológica (motivada por uma bandeira/causa em que acredita)? 

Minha motivação é política, embora não partidária. Meu posicionamento político sempre foi claro, qualquer um que me conheça já deve me ter visto dizer inúmeras vezes que não sou imparcial. O conteúdo do Jornalivre não é imparcial. Eu não iludo as pessoas com essas mentiras sobre imparcialidade, isso não existe e quem crê que exista vive num conto de fadas. Eu acredito em uma causa que é a do liberalismo, trabalho em prol disso há anos e trato meus adversários de forma realista. 

Eles não são gente boa, não são pessoas "iludidas" que precisam ser convertidas. Eles são inimigos, são pessoas que fazem o que fazem sabendo que estão erradas. Esta gente nos odeia. Os petistas nos matariam se pudessem, eles fariam isso sem qualquer tipo de remorso porque, na visão deles, somos apenas um empecilho para que conquistem o poder totalitário. Já fui socialista no passado, já fui ligado a movimentos de extrema-esquerda, sei como isso funciona. Nos bastidores estas pessoas tramam contra a sociedade o tempo inteiro. 

Minha motivação foi o fato de ter visto inúmeras vezes gente de bem se dando mal, pessoas comuns, do povo, sendo perseguidas porque emitiram uma opinião divergente. Vi gente perdendo emprego porque "movimentos sociais" jogaram sua vida pessoal na lama com falsas acusações de racismo ou misoginia. Em 2015, aqui em Joinville, a gota d'água foi quando vi o movimento negro tentando destruir a vida de uma professora de primário, uma mulher que nunca fez mal a ninguém e que não tinha qualquer envolvimento em política. A partir daquele momento declarei guerra e nunca mais parei. 

- O texto de apresentação do Modo Espartano diz que o objetivo é “fazer o leitor refletir e pensar de forma tática a Guerra Política”. Qual o seu conceito de guerra política? 

A política é uma guerra por outros meios, como já disse David Horowitz. Para mim isso sempre foi claro. Há liberais que querem dialogar com as pessoas que cortariam suas cabeças, estes não estão devidamente acordados para a realidade. Eu não sou assim. 

- Como é possível conciliar essa ideia de guerra política com um jornalismo de credibilidade? 

Credibilidade para quem? Nós temos um público alvo, não somos um veículo de massa e nem estamos concorrendo em concursos de popularidade. Jornais grandiosos como a Folha, O Globo ou mesmo a Veja já publicaram inúmeras mentiras em diversos casos. Eles têm credibilidade? Não. O que eles têm é muito dinheiro e poder. Se eu tivesse tanto dinheiro quanto Otávio Frias também compraria bastante credibilidade por aí. Isso é política. 

- Você vê diferença entre o estilo de atuação dos sites de mídia alternativa ligados à nova direita e o das páginas ligadas a correntes políticas de esquerda? 

Nós não competimos com os sites de esquerda. Eles direcionam suas mentiras para um público que as consome e compartilha vorazmente. A vantagem que eles possuem é justamente esta: podem mentir sem se preocupar porque seu próprio público não se importa. Eles adoram a mentira se ela servir ao que lhes interessa. Nosso público é bem mais criterioso quanto a isso, muito mais atento.e exigente. Eles querem a verdade. 

Depois, ele replicou o e-mail com o seguinte: 

Obrigado pelas respostas, Roger. 

Só queria pedir para você esclarecer, se possível, dois pontos que não ficaram claros pra mim: 

1. Você não quis dar detalhes sobre o funcionamento do Jornalivre e disse que só associou seu nome ao site quando passou a atuar como editor. A falta de informações sobre a operação do Jornalivre alimenta especulações sobre uma relação com o MBL. Existe ou existiu alguma relação entre o Jornalivre e o MBL? Qual? E entre você, pessoalmente, e o MBL? Quem era o editor do Jornalivre antes de você? 

2. Você diz que foi socialista no passado e ligado a movimentos de extrema-esquerda. Quais movimentos? 

Então respondi: 

1. Se era isso que você queria saber, esta deveria ter sido a pergunta. De toda forma a relação entre o Jornalivre e o MBL sempre foi meramente uma parceria. Eles possuem uma página enorme, com milhões de seguidores, e compartilham parte de nosso conteúdo. Isso faz aumentar o alcance e gera mais monetização. O conteúdo que geramos é do interesse deles, já que estamos ideologicamente alinhados. Pessoalmente não tenho relação alguma com o movimento, apenas o apoio a distância, sem contato direto com seus membros. No passado já houve uma integrante do grupo que atuava no Jornalivre como redatora, mas ela saiu há meses e desde então não nos falamos mais. 

Antes de mim o Jornalivre não tinha editor, funcionava de forma mais orgânica e até descentralizada. Os textos de opinião que fiz sempre foram assinados por mim, essa história de anonimato do site nunca foi verdade. É uma mentira criada pelo Dimenstein, que na época estava desesperado e agindo feito um lunático. 

Sobre as especulações, a verdade é que eu simplesmente não ligo. 

2. Fui membro da Esquerda Marxista, uma corrente interna que na época era do PT. Fiquei no movimento até meus 18 anos. Saí porque o que vi lá dentro eram pessoas fingindo se importar com os pobres e as minorias, mas que na prática só queriam mesmo mais dinheiro e poder. 

Considerando que todas as entrevistas foram "lapidadas", não só a minha, talvez o jornalista em questão tenha sido pressionado a fazer os cortes apenas para que o texto não ficasse grande demais. Ou ele cortou as partes que não queria publicar, seja por intenção própria ou por algum pedido de seus editores. De qualquer forma a íntegra está aí.
Tecnologia do Blogger.