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Sobre "alimentar a narrativa" do inimigo, um conceito que poucos entendem

Desde ontem, após às 17 horas, quando Lula passou a simplesmente escarnecer da Justiça e da Polícia Federal ao não se entregar voluntariamente, iniciou-se uma narrativa de que a PF estaria certa ao não tomar nenhuma atitude enérgica. A justificativa para a decisão de serem feitos de otário por um condenado é a de que se eles entrassem no Sindicato dos Metalúrgicos e tirassem Lula por meio da força, isso "reforçaria a narrativa petista", a de que a instituição persegue o ex-presidente e age com truculência.

Isso é uma besteira. Gente de direita sempre tem medo de agir com base nesse mesmo princípio. Jair Bolsonaro, quando entrevistado por Danilo Gentili, disse que não processou Maria do Rosário porque isso feriria a "liberdade de expressão", que poderia acusá-lo de ser intolerante com a divergência. Parabéns ao deputado, já que ele foi chamado de estuprador, foi processado e ainda continuam chamando ele de intolerante.


O fato é que a Polícia Federal errou feio, assim como Sérgio Moro. Ter dado um prazo de 24 horas para Lula se entregar é o tipo de medida que não se aplica quando se conhece o inimigo. Até eu sabia o que iria ocorrer. Era óbvio que Lula não se entregaria dentro do prazo, e isso ficou mais óbvio ainda na manhã de ontem, quando a militância começou a se aglomerar diante do sindicato. Ali já foi dado o primeiro sinal de resistência. O petista estava trancado lá dentro e havia uma multidão de petistas do lado de fora que, naturalmente, estavam lá com a única finalidade de impedir o trabalho do Polícia Federal caso ela quisesse prendê-lo.

O prazo se esgotou às 17 horas, agora já se passam 24 horas e Lula ainda não se apresentou. Ele ainda está no sindicato, ainda cercado por militantes petistas. Tudo isso porque a PF não quis agir como deveria. O receio era que uma atitude enérgica fosse gerar um conflito entre os agentes e os capangas de Lula. Mas o que está acontecendo agora comprova que talvez a polícia só tenha adiado o inevitável. Os petistas estão cercando o prédio e não demonstram querer sair do local. Mais um claro sinal. Eles querem o enfrentamento.

A verdade é que se os próprios militantes não mudarem de ideia e forem embora, a PF vai ter que cedo ou tarde cumprir esse mandado. Nesta hora pouco importa a preocupação patética de que isso vá "alimentar a narrativa petista". Quando e se isso ocorrer vai ser necessário o uso da força. Ao decidir que não fariam o que é correto, ou seja, entrar no sindicato porta adentro e tirar Lula de lá arrastado, a PF ficou nas mãos deles. Agora a instituição foi humilhada por um condenado em rede nacional e isso não evitou problema algum, talvez até tenha piorado a situação.

Essa questão de não alimentar a narrativa do inimigo precisa ser devidamente compreendida. Ela se aplica a casos específicos, especialmente em casos políticos. A prisão de Lula é uma questão prática e jurídica, pouco importa se os militantes vão se machucar ou se alguém vai usar essa situação para obter ganhos narrativos. A Polícia Federal deve fazer cumprir a lei e ponto final. Além disso, quem compra a narrativa petista são os petistas, o resto da população não se importa.

Só é válida esta preocupação em um caso bem específico, que é quando você opta por fazer algo que é flagrantemente errado - como, por exemplo, divulgar uma informação falsa sobre seu inimigo - e se arrisca com isso a ser desmascarado. Esta é a única narrativa que não pode ser reforçada, que é quando seu oponente ganha razão por conta dos seus atos. Qualquer coisa diferente disso é pura balela. Ninguém deve agir segundo este princípio se a interpretação for a de não se fazer nada com medo de ser criticado. Se você teme que seu inimigo te ataque, é necessário voltar muitas casas no tabuleiro ou até mudar de jogo, porque você simplesmente não entendeu a essência da coisa toda.
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