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O caso Marielle, a direita e os velhos tropeços

A morte da vereadora Marielle Franco, do PSOL, foi provavelmente o acontecimento mais marcante da política brasileira desde a morte suspeita do ministro Teori Zavascki. Contudo, neste caso, tem-se a certeza de que foi um duplo homicídio (dela e do motorista, Anderson Gomes), e a principal linha de investigação trata o caso como execução, que é o que tudo indica ser até agora.


Diante de casos assim, sempre surgem diversas narrativas e muitas delas são usadas com finalidade política, como a de que Marielle foi morta por ser negra, por ser mulher, ou mesmo que isso faz parte de uma "perseguição sistemática aos movimentos sociais de esquerda", como muitos têm dito. Para a direita, neste caso, bastaria ter feito uma ou duas coisas muito simples.

1) Denunciar aqueles que usaram a morte da vereadora com fins políticos, e neste caso atacaria-se seu próprio partido. Apontar esta imoralidade, como o fato de o PSOL e outros grupos de extrema-esquerda terem tentado utilizá-la para atacar a intervenção no Rio, seria um tiro certeiro, uma vez que trata-se de algo efetivo para as pessoas que respeitam o luto.

2) Correr para mostrar as acusações e ilações feitas pelos esquerdistas, que de imediato acusaram a polícia, o governo, a direita, os fãs do Bolsonaro ou quem quer que seja pelo crime, mesmo sem nenhuma evidência disso até o momento.

Se só isso tivesse sido feito desde o princípio, agora teríamos em mãos um bom apanhado de resultados morais e até uma vitória de nossa narrativa. Seria até cabível trabalhar com a suspeita de que Marielle tenha sido morta pelas mesmas pessoas com quem trabalha, como seus colegas de partido. Seu suplente, o que vai assumir seu lugar na Câmara do Rio, é o Babá, o mesmo que há poucos dias deu chilique diante da pré-candidatura de Boulos pelo PSOL.

Como foi dito por este blog há poucas semanas, a extrema-esquerda cedo ou tarde surgiria com algum trunfo para atacar a intervenção, e para isso ela está disposta a pagar o preço que for. O PSOL, queiram admitir ou não, foi quem saiu beneficiado com esse homicídio. Estes levantamentos, embora nada provem, são bastante úteis para entender as coisas como realmente funcionam, porque na política é exatamente deste jeito que tudo ocorre, quer admitam os puritanos, quer não.

O problema todo começou com dois pontos importantes, e o primeiro deles foi o de uma parte da direita que se engajou na falsa comoção pela morte da vereadora. Liberais e até alguns conservadores fizeram cena, escreveram posts em pêsames à sua morte. Tudo evidentemente falso para tentar provar superioridade moral e ética. Houve até quem saísse do seu conforto para participar dos atos após a morte da vereadora, como o patético grupo de pseudo-liberais do Livres.

O outro problema, talvez o maior, foi a propagação de notícias e informações falsas para atacar a honra e difamar a vereadora. O caso mais falado foi o da desembargadora que postou mentiras sobre a falecida em suas redes sociais, alegando que a mesma era namorada de Marcinho VP, do Comando Vermelho, e que ela teria sido eleita pela sua relação próxima com o tráfico.

Pura burrice. Os números provam o inverso. Marielle não foi sequer eleita pela periferia do Rio, mas pela elite. Enquanto fez míseros 50 votos na Maré, de onde dizia ser cria, fez mais de seis mil votos na Tijuca e mais de mil no Leblon. Se Marielle tivesse sido mesmo ajudada pelo Comando Vermelho, seus votos viriam da favela e não dos bairros nobres da cidade. Para constatar algo assim é só usar o cérebro.

O problema é que a direita brasileira não tem maturidade e de modo geral não entende absolutamente nada de política, como também tratei em outro artigo no começo do ano. Uma coisa que talvez nenhum dos idiotas tenha parado para pensar é que a própria esquerda possa ter propagado inicialmente essas informações falsas, justamente com a intenção de que os paspalhos a replicassem. Eu faria algo assim, por que eles não o fariam?

Justo num momento em que a imprensa tem batido frequentemente na tecla das fake news, setores da direita resolveram dar ibope a uma desembargadora que usa irresponsavelmente o peso de seu cargo para postar bobagens em rede social, o que é digno de moleques. Isso só reforçou ainda mais a narrativa do PSOL, e de quebra enterrou a nossa.

O que ocorre, portanto, é que perdeu-se uma oportunidade de ouro para fazer valer tanto os argumentos contra o PSOL, um partido que historicamente defende bandidos e que de fato possui proximidade com núcleos do crime organizado, assim como o PT, como também para expor a hipocrisia de gente que vive pedindo impunidade e que agora, por conveniência, pede punições mais severas e rigor nas investigações.

Quem saiu por vítima da história? Marielle e seu partido. Ela, que de fato foi vítima de um homicídio, servirá como mártir e obviamente será usada a exaustão nas eleições deste ano. Quem saiu por vilão? Nós, que sempre defendemos maior segurança, policiamento, rigor nas leis e em sua aplicação.

A falta de inteligência continua sendo o nosso calcanhar de Aquiles. Neste caso, os tropeços de sempre fizeram parte do cenário.

NOTA: Não sou totalmente insensível à morte da vereadora, não acho que ela mereceu ter o fim que teve e não concordo com a veiculação de acusações sem prova. Quanto ao uso político da situação, isto é a política do mundo real. Nossos inimigos fazem as coisas assim por saberem que vão obter resultados desta forma. Moral e política não andam de mãos dadas e nunca vão andar.
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