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Movimento Acredito é exemplo de algo que falta à direita e que esquerdistas têm de sobra

O movimento Acredito, composto por esquerdistas enrustidos ligados ao PSOL, tem se mostrado especialmente inteligente em suas missões. O grupo declarou desde o começo e reforçou recentemente que pretende colocar bastante gente dentro do Congresso Nacional.

A direita, desde 2013, tem apenas um projeto: discutir quem é o melhor candidato a presidência. De um lado há aqueles que apoiam Flávio Rocha, Amoedo, etc. Do outro, os fãs lunáticos e especialmente burros do deputado Jair Bolsonaro. 


Rocha, por exemplo, se filiou ontem ao PRB, mas o partido ainda tem ressalvas quanto a sua candidatura e considera até colocá-lo em uma chapa como vice. Embora o MBL babe ovo em cima do empresário, assim como já fez com João Amoedo, a verdade é que ele ainda não tem viabilidade eleitoral. Flávio Rocha não é conhecido do público e iniciou seu trabalho político há poucos meses, mas sem muito efeito. Talvez, com o dinheiro que possui e se as coisas continuarem a ser levadas do jeito em que estão, ele seja candidato de 10%. Para que ele ao menos tenha chance de ir ao segundo turno deve haver uma mudança radical de postura dele e de seus apoiadores, que não parecem levar a coisa toda muito a sério e pensam que eleição é decidida em páginas do Facebook.

Amoedo está fora do páreo. Ele nem se esforça para se tornar viável. Além disso, o NOVO é como um todo um partido fraco eleitoralmente. Com a desculpa de que são um projeto para o futuro, o grupo não tem trabalhado naquilo que realmente importa: fazer com que seus nomes se tornem bem conhecidos. É uma estrutura engessada, cheia de trâmites burocráticos e muita enrolação, o que até contrasta com a narrativa do próprio partido sobre gerir a máquina pública sem burocracia. A propósito, essa história de "projeto para o futuro" é de uma inocência absurda. Não haverá futuro algum se não houver presente. O NOVO pretende ser grande em 2030, mas até lá a extrema-esquerda pode muito bem virar o jogo. Se ela o fizer a própria liberdade será suprimida ao máximo, e aí não restará espaço para quem não estiver com eles.

Jair Bolsonaro é aquele caso já conhecido. O deputado tem uma boa base de eleitores, já fez uma excelente votação no Rio em 2014. Seus pontos fracos são certamente o isolamento no qual ele próprio se meteu e o fato de ser alguém de nicho. De modo geral, quem apoia o Bolsonaro com entusiasmo são os moleques das redes sociais, que se duvidar nem possuem título de eleitor, e aqueles marmanjos babões que se venderam ao projeto mais para obter cliques em seus sites de notícia, como é o caso de Flávio Morgenstern, que já sabe mais do que todo mundo quais são as reais chances do deputado. Aí é um caso claro de bajulação, não mais de análise dos fatos.

Em uma expectativa otimista, Bolsonaro pode até fazer algo na casa dos 25%, mas isso é o que parece agora, antes do período eleitoral. Em São Paulo, nas eleições de 2016, quem aparecia com vitória fácil nas pesquisas era Celso Russomanno, que no fim das contas terminou como terceiro colocado, atrás até de Fernando Haddad.

É necessário ser realista. Quando a máquina eleitoral começar a girar, partidos como PDMB e PSDB tendem a esmagar os pequenos concorrentes. Como já escrevi em um artigo no começo deste ano, quem quer mudar a política precisa primeiro entendê-la. Infelizmente este não é o caso dos movimentos de direita da atualidade. Aparentemente muitos deles desconsideram fatores que são de suma importância para a disputa política, dentre eles o óbvio: dinheiro, tempo de TV, campanha nas ruas e compra de votos (direta ou indireta) fazem toda a diferença. Uma campanha para qualquer cargo executivo custa muito caro, e isso não é de hoje. Em Joinville, cidade na qual resido, estima-se que a campanha do atual prefeito em 2012 tenha custado cerca de R$ 20 milhões, sendo que R$ 6 milhões ele tirou do próprio bolso por ser rico.

Neste caso até pode ser que haja ligeira vantagem para figuras como Amoedo e Flávio Rocha, só que aí entram outras questões em jogo. Nenhum destes candidatos têm a base eleitoral e a quantidade de conexões que o PMDB possui. Se o maior partido do país lançar candidatura própria, as chances são de que ele esmague muitos destes peixes pequenos. Mas a culpa por essa falta de trabalho de base é, obviamente, da própria direita, que de modo geral não se envolve em política local e gasta a maior parte de seu tempo e energia nas redes sociais.

Sendo assim, ao menos neste ponto, o movimento Acredito tem bem maior compreensão do sistema. Eles sabem que colocar um candidato à presidência é perda de tempo. Gente como Guilherme Boulos entra na campanha ciente de que vai perder, e o objetivo nem é mesmo que ele ganhe. Trata-se apenas de uma velha tática para atrair atenção ao partido e ajudar a eleger mais cadeira no Congresso.

A direita deveria ser mais madura e compreender que é não só mais fácil e viável, mas é também muito útil focar no Congresso. É na Câmara e no Senado que passam grande parte das decisões em um país, ainda mais dentro de nosso sistema político. A estrutura da política brasileira dá quase tantos poderes ao Congresso quanto dá ao presidente, sendo que o Congresso em alguns casos tem até mais influência, como na aprovação ou reprovação de projetos de lei e PECs.

Se a direita tivesse mais cadeiras na Câmara, por exemplo, poderia forçar a pauta da PL 3722, do deputado Rogério Peninha, que visa flexibilizar o Estatuto do Desarmamento. Se houvesse mais gente de direita no Senado seria possível forçar a pauta do fim do foro privilegiado, que já foi proposto por Álvaro Dias, mas que segue engavetado. Por outro lado, na remota hipótese de elegermos um presidente, seja ele Bolsonaro ou Flávio Rocha, se não houver um Congresso que esteja do nosso lado estas pautas serão decididas por quem estiver lá, e estes serão os nossos rivais.

Um presidente até pode tomar decisões por meio de decreto, mas estes decretos seguem um rigoroso procedimento e mesmo assim, muitas vezes, podem ser derrubados no parlamento. Nem Donald Trump como presidente da maior nação do mundo tem poderes ilimitados. Muitas de suas decisões são mandadas para o Capitólio e é lá que os parlamentares vão aprová-las ou não. Um presidente, dentro de uma República, não tem poder para decidir muitas coisas sozinho, por isso Dilma precisou da ajuda de Romero Jucá e da base governista para aprovar mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias em 2015, o que foi o início das pedaladas fiscais. A então oposição minoritária não conseguiu barrá-la.

Se o Acredito, composto por jovens, tem capacidade para perceber isso, o que realmente impede que os marmanjos ditos de direita entendam esta realidade? 
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