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Um bobalhão idealista e um pilantra travestido de liberal entram num bar...


Vi um vídeo do canal Ideias Radicais, do Raphael Lima, em que ele fala sobre idealismo e pragmatismo, criticando os pragmáticos. A abordagem é óbvia e repetitiva. Basicamente ele defende que os libertários precisam largar o pragmatismo e buscar sempre defender seus ideais, aquela velha ideia de um mundo fantasioso no qual o Ancapistão será possível. Nem preciso dizer o quanto isso é uma tolice, basta assisti-lo:


Tudo o que Raphael disse acima já foi feito pelos libertários do passado. Para que fique claro, não estamos nem falando de libertários como ele, que tem um canal no Youtube com um alcance razoável, mas de pessoas realmente brilhantes como Mises, Milton Friedman, Walter Block e até mesmo Ayn Rand, que ele próprio cita no vídeo. O que faz um sujeito desses pensar que, se no passado, com tantas mentes brilhantes, essa "estratégia" nunca os levou a lugar algum, alguém como ele ou como os libertários bundões de hoje em dia poderão fazer melhor?

É claro que a resposta é simples: arrogância. Libertários são em geral arrogantes. Acham que estão certos - e muitas vezes não estão errados - e pensam que isso basta para atingir seus objetivos. Contudo, neste caso, Raphael fez o esperado. Nada surpreendente para quem já conhece seu trabalho que é, limitadamente, defender ideias libertárias e esperar que o mundo mude.

Contudo, este vídeo teve uma resposta de outro sujeito conhecido neste meio, o auto-proclamado libertário Joel Pinheiro, do qual já falei aqui em outros artigos. Incrivelmente, a resposta dada pelo Joel está mais do que correta, ainda que ele não seja minimamente confiável. Abaixo coloco o vídeo e depois volto a comentar detalhadamente o caso:


Joel está certo. Há uma medida necessária entre o pragmatismo e o idealismo. Embora não devamos de fato abandonar nossos princípios, é preciso saber que muitas vezes, por questões práticas e até para o avanço de nossos objetivos, teremos que fazer uma ou outra concessão. Assim funciona o mundo. Os idealistas puros conseguem apenas apanhar da vida, e nem precisa ser na política.

Imagine um idealista puro no casamento. Ele gosta que todas as paredes da casa sejam brancas, segue isso como um princípio estético. Sua esposa, porém, quer pintar as paredes da sala com a cor azul. Ele bate o pé e faz disso uma briga. Para ele, a cor certa é a cor branca. Se o idealista se mantiver puro, pode até ser que consiga dissuadir sua esposa a nunca pintar aquelas paredes. No entanto, em outro momento, quando ele quiser algo que ela não queira, a tendência é que ela também não ceda. Já o sujeito que consegue conciliar o pragmatismo ao idealismo vai pensar: "A parede azul não é o que quero, mas se eu deixar que ela pinte de outra cor talvez possa, no futuro, negociar com ela algo que eu queira e ela não, como comprar um X-Box One ou aquela TV de 80'' para assistir o Brasileirão."

Desta forma, a abordagem de Joel é correta. Não há a menor chance de as ideias libertárias avançarem na sociedade se tudo o que os libertários sabem fazer é se reunir em seus clubinhos, fazendo suas palestras, pregando para convertidos, se encontrando em eventos do tipo "burger liberal" ou "cerveja sem impostos". Se a atividade destes sujeitos se limitar a isso - e não quero dizer que não devam fazer isso nunca, obviamente - o máximo que vão conseguir é conquistar meia dúzia de pessoas em anos de puro desperdício. Seus interesses nunca serão atingidos assim.

Claro que no caso de Joel há outras questões em jogo. Ele trabalha para a esquerda, e quando fala em "fazer concessões" ele está dizendo, em outras palavras, que os libertários devem tolerar as merdas que os esquerdistas fazem, como já defendeu em outros vídeos. Ainda assim, no contexto geral, sua abordagem foi precisa.

Isso, no fim das contas, mostra que até mesmo para um sujeito mediano como Joel Pinheiro fica fácil derrotar um idealista puro e tolo como Raphael Lima, tudo porque ele tem muito mais noção de como a realidade é de fato.
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