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Destituição de General Mourão é balde de gelo em direitistas acometidos pela síndrome do Salvador da Pátria

Há uns meses um garoto, literalmente, me disse que a intervenção militar estava prestes a ocorrer. Segundo ele, se as coisas piorassem mais, as Forças Armadas interviriam para nos salvar de toda essa podridão. Na ocasião disse a ele que isso não iria ocorrer e por duas simples razões que irei abordar mais adiante. 

A verdade é que esta é uma discussão que já tive muitas vezes. Vez ou outra aparece alguém dizendo que os militares devem agir ou mesmo que eles vão agir quando for a hora certa. Tal discurso tem um padrinho e tem também um locutor. O padrinho é Olavo de Carvalho com sua abordagem absolutamente despolitizante que se intensificou especialmente após suas tretas com o MBL. O locutor, é claro, é o deputado Jair Bolsonaro. Ambos são os principais responsáveis não pela criação, mas pela propagação dessa ideia.

Qual o problema com esta ideia?

O primeiro problema é que ela é baseada em fé e não em fatos. O primeiro fato é o mais simples de todos: generais, majores, tenentes e toda a estrutura militar são cargos ocupados por subalternos do governo. Muitos até podem ter chegado lá por méritos próprios, mas eles ainda assim são funcionários que respondem aos seus superiores. Os seus superiores, por sua vez, são os governantes. São o presidente e seu ministro da Defesa que comandam de fato as Forças Armadas. O general não tem autonomia.

O segundo problema está na estúpida síndrome do Salvador da Pátria que acomete direitistas desde sempre. O plano todo consiste em sentar, esperar e torcer por uma vitória que virá pelas mãos de um cavaleiro branco com boas intenções, muita coragem e honra. Ou seja, aqueles que propagam a ideia na realidade não estão fazendo coisa alguma para que ela aconteça. Tudo se resume a torcer por um resultado, como na loteria. Isso se vê tanto no caso da intervenção militar como na própria campanha de Jair Bolsonaro. Simplesmente não há plano estratégico, o que existe é só a ideia e a esperança.

A intervenção militar não vai ocorrer como ocorreu em 64 e isso é bem fácil de compreender. Naquela época havia outra realidade, era o período da Guerra Fria. Jango era comunista e os EUA temiam que ocorresse com o Brasil o que ocorreu em Cuba. Sem o apoio americano nem os militares daquela época teriam culhões para tanto. O golpe só funcionou porque havia um planejamento estratégico em andamento. Hoje, por outro lado, além de o cenário ser completamente diferente o que essas pessoas têm é nada além de uma intenção. Os militares vão intervir e aí, o que ocorre depois? Como eles farão isso em uma realidade na qual há forças internacionais contrariando este interesse? Como pretendem lidar com a reação? Como vão conter os vazamentos deste plano na era digital? O que farão com algum soldado que eventualmente delatá-los?

Em 64 não havia internet, havia apoio dos EUA, era durante a Guerra Fria e, o mais importante de tudo, o presidente era absolutamente inepto a ponto de não saber nada do que ocorria dentro da própria casa. Alguém realmente acha que nos dias de hoje o presidente da República não sabe o que seus subalternos estão tramando? Se não soubessem então isso poderia servir até para defender Lula em suas alegações de que nada sabia sobre o Mensalão. Isso é completamente absurdo.


O fato é que neste momento a destituição do General Mourão veio como um balde de gelo para baixar a bola dos intervencionistas. Se um general foi deposto apenas por falar o que quis, imagine o que ocorreria a um general que chegasse a planejar um ataque contra o Governo Federal!
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